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terça-feira, 9 de agosto de 2011

20 - A Cidadela de Salah-El-Din no Cairo



Entre conversas em árabe e espanhol, Haissan divide-se em atenção, enquanto isso estamos, eu e a Pri, conversando na língua do “i”, como disse antes, foi a única forma de falar e comentar as coisas sem que ele entendesse, e também uma pequena retaliação por ele estar sempre falando em árabe na nossa frente sem traduzir nada...rsrsrs...ele entendeu isso e perguntou que língua falávamos, eu disse que era um dialeto inventado por mim. Imediatamente ele quis aprender!

- Ah, me ensina então! Ele disse.
- Ok, você me ensina árabe? Respondi.

Caímos todos na risada! Impossível qualquer uma das situações.

Estamos chegando a um complexo de construções maravilhosas e um dos pontos turísticos mais populares do Cairo, situada sobre um esporão de pedra calcária, é parte do Morro do Muqattam, conhecido como uma das mais belas vistas da cidade do Cairo. É também chamada de a Cidadela de Saladino.
Esta cidadela foi fortificada por Saladino no sec. XII em 1176 para defendê-la contras os ataques dos cruzados, na parte interna da fortaleza se encontram a magnífica Mesquita de Mohamed Ali e a Mesquita El-Naser Mohamed, a única edificação mameluca que resta na cidade.

O filme mostra o ritmo das nossas caminhadas.

Sabe...Hoje olhando as filmagens e lembrando todas as peripécias do Haissan...até acho graça!

A regra é: Eu caminho na frente, vocês me seguem e eu fico chamando vocês! Olhem só!



Olha a foto que foi feita a pedido!









Enquanto entramos, Haissan esforça-se em explicações e cuidados, responde perguntas e tenta falar com calma!
 Maaaas...ele só tenta...veja no video ele falando sobre a construção enquanto alguns homens fazem a manutenção do lugar que felizmente esta sendo revitalizado...daria um doce para quem me traduzir o que ele diz para o pobre homem que está fazendo seu trabalho...Ahh! Depois vale a mesma regra do “eu vou correndo na frente e blá...blá...blá!



O dia está bem quente, no entanto, a visão que temos da Mesquita de Muhammad Ali é tão deslumbrante, tão arrebatadora, que nem o sol nem o calor são capazes de atrapalhar. É uma construção belíssima, maravilhosamente rica em detalhes. É também conhecida como a Mesquita de Alabastro, devido ao seu belo revestimento em pedra.
Construída durante os anos de 1830 e 1848 por Muhammad Ali Pasha em honra a seu filho primogênito que havia falecido pouco antes, a mesquita está em um ponto de destaque dentro do complexo da antiga Cidadela de Saladino. Em estilo otomano, é uma das maiores mesquitas já construídas, e passa dos 80 metros de altura.
     Os tapetes do interior da mesquita são ainda os originais, e o túmulo de Muhammad Ali Pasha, em mármore carrara, pode ser visitado logo na entrada principal.

                                                     Foto do site: http://www.eujafui.com.br/

Uma das curiosidades do local é o relógio em bronze que fica no pátio aberto, e que foi recebido como um presente do Rei Luis Felipe, da França, em retribuição ao obelisco do Templo de Luxor presenteado pelo soberano egípcio Muhammad Ali e que se encontra hoje no centro da Place de La Concorde, em Paris. Já comentei isso no post de Luxor.

                                                 Foto do site: http://www.eujafui.com.br/

Outra curiosidade, é a semelhança com a Mesquita Aya Sophia em Istambul (comento sobre ela depois), e não é por acaso, pois, o arquiteto foi o mesmo em ambas.

Estamos ansiosas, pois, à medida que chegamos perto da mesquita aumenta a curiosidade de conhecer esta maravilha por dentro, logo percebo um detalhe, nossos lenços ficaram no carro, não sabíamos que a visita seria agora, e por experiência sei que não estamos com os trajes adequados para entrar. Comento com a Priscila e ela na mesma hora diz:

- Mas é brincadeira, por que ele não avisou que a visita seria agora? Como vai ser?

Ele ouviu, acho que ele tem olhos e ouvidos atrás da cabeça também, por que enquanto caminha na frente consegue “ver” e ouvir tudo!

- Não se preocupem! Vocês podem alugar a roupa para entrar.

- Ok! Disse a Pri. Nossos lenços estão no carro, você não avisou da visita na mesquita, então agora você resolve!

Ele ficou sério e disse:

- Mas é bem baratinho!

A Pri riu e falou:

- Melhor pra você então, nem vai gastar muito! E começamos a rir da carinha que ele fez!

Rapidamente ele encaminhou-se e começou a conversar com o cara que estava na entrada, acho que explicando, não sei...o fato é que ele falava e ria e nos apontava...em outra encarnação vou aprender árabe!


Quando nos chamou, nossas roupas estavam separadas foi só vestir, tirar os sapatos para começar o deslumbre!





 Seguimos enfim, para dentro da mesquita, e ao chegarmos, ouvimos a chamada para a oração o que considerei acolhedor, e senti estar na hora certa e no lugar certo, não sou muçulmana, mas achei muito simpática a coincidência de horário e lugar.







O lugar é lindo, deixo as imagens falarem por si, o áudio ficou um pouco prejudicado, pois haviam pessoas usando o aspirador no momento, mas vejam que beleza!


 


Após uma breve explicação sobre o Islã, terminamos a visita com uma bela visão do Cairo, agora é perfeitamente compreensível o porquê é um dos lugares mais visitados, a vista panorâmica da cidade é espetacular, além de estratégica.

Minha câmera-girl tremeu um pouquinho, mas fez imagens lindas!

 A próxima parada é para o almoço, em um restaurante lindo, depois, o bairro Kopta...mas isso é daqui a pouco!


                                     

terça-feira, 15 de março de 2011

19 - A Esfinge de Gizé


As pirâmides, o passeio de camelo e a esfinge são todos muito perto um do outro, é passeio para uma manhã bem aproveitada.
Ao sair dos camelos Haissan nos encaminha para dentro da Van e logo começa a falar sobre a esfinge. É encantador estar nestes locais, lembro muito bem de quando estava na 8ª série e esperava para ouvir as aulas de história do mundo. Olhava as figuras nos livros, e sonhava.

Posso dizer que sou uma pessoa de muita sorte, muita mesmo! Minha lista de locais a visitar, feita naquela época, já está no lucro! Sonhar é preciso, e nisso sou boa investidora!

Mas como já falei antes, em nenhum lugar que visitei, senti tanta alegria como a que senti no Egito. É algo inexplicável. É preciso ir, estar lá! Se emocionar com a genialidade, com as histórias, com o berço da civilização! Voltei apaixonada pelo Egito!

Estar perto de construções magníficas como estas, é arrebatador!



Este gigantesco leão com rosto humano, talhado inteiramente na rocha, tem 21 metros de altura e 73 metros de largura.
Segundo o grego Heródoto, embaixo da Esfinge existe um templo rupestre conectado por meio de uma larga galeria com o “Lago” e a “Ilha” do sarcófago, escondidos nas vísceras da pedra que sustenta a pirâmide de Keóps.

O monumento foi descoberto e restaurado várias vezes, e outras tantas as areias do deserto voltaram a cobri-la. A restauração mais famosa foi a de Tutmosis IV, a quem, descansando um dia à sombra do colosso, lhe apareceu em sonho o deus da Esfinge, Harmakhis (“Hórus do horizonte”), que lhe incitou a empreender a piedosa tarefa de desenterrá-la, prometendo que se o fizesse, o tornaria rei do Egito, fato que aconteceu um tempo depois.

Entre as patas da Esfinge, há uma laje de granito onde está registrado o sonho de Tutmosis IV.

Ao observar o perfil da Esfinge se pode ver como o imponente e prestigioso monumento foi arruinado, como sempre, mais pelos homens do que pelo tempo: com efeito, os mamelucos exercitavam a pontaria tomando a cabeça da Esfinge por alvo desfigurando-a seguramente com uma bala de canhão.

O rosto tem cinco metros de altura e o nariz – onde resta apenas um pedaço- quase dois metros. A barba postiça, que lhe colocara Tutmosis IV, se conserva hoje no Museu do Cairo.


Após falar o básico sobre a esfinge, o Haissan disse que não poderia nos acompanhar todo o passeio, alegou ser proibido para os guias entrarem nos monumentos. Lamentei bastante, ainda insisti um pouco, mas ele disse que não poderia mesmo.

Marcamos um local de encontro na saída, e fomos eu e a Pri conhecer de perto a Esfinge.

Ao chegar lá, nos deparamos com vários guias acompanhando grupos, contando histórias, fazendo fotos, e caminhando sem problema algum dentro do complexo.

Bem, nem preciso dizer o quanto isso nos deixou chateadas! Combinei com a Pri, que ao sair daria um ultimato neste garoto...


Lamentavelmente, não pude entrar no Templo da Esfinge, o Haissan não avisou que deveria usar o mesmo ticket da pirâmide, e eu o havia deixado na van. 

 A Pri mais precavida estava com todos juntos. Lamentei de verdade! Lição aprendida!
 Mas ela fez fotos lindas por lá. Eu fiquei torrando no sol, observando os turistas entrando com seus guias no Templo e esperando...


                                                      Entrada do Templo da Esfinge


Terminada a visita, nos encaminhamos para a saída. Ao encontrar Haissan, pensava o que iria dizer para melhorar a qualidade das nossas visitas. Este lugar é longe, estamos realizando um sonho, e deparamos com um guia apressado, ansioso e definitivamente com preguiça de falar. Meu Deus!
 Além do mais as desculpas são sempre as mesmas, ou ele não pode acompanhar ou ele diz que precisa ir ao banheiro.

Ao mesmo tempo, penso sempre, que existem formas e formas de chamar a atenção de alguém. Não é preciso ser desagradável, nem grosseira, mas definitivamente era o momento de colocar as coisas em perspectiva, pela segunda vez!

Assim que ele se aproximou respirei fundo e com um ar sério e calmo perguntei:

-Haissan, por que foi mesmo que você não nos acompanhou neste passeio?

Ele respondeu:

- Por que não é permitido os guias acompanharem. Falou isso com um ar de riso displicente.

Neste momento precisei de controle, a Pri ao meu lado, dava um passo à frente e outro atrás. Imagine a careta que ela fez!

Ele estava mentindo com a cara mais deslavada do mundo!

Então fiz outra pergunta:

- Se não é permitido os guias acompanharem, como é que todos os grupos que estavam lá estavam com guias? Todos eles entraram sem problemas, circularam com os turistas, fizeram fotos, responderam perguntas, entraram no Templo. Como eles entraram?
Diga-me: Todos eles estavam desobedecendo às regras?

Ele disse:

- Sim estavam! Ainda rindo.

E prossegui falando:

- Este é um dos lugares mais visitados do mundo! Você acredita que fazer este passeio sem o acompanhamento de um guia é algo aceitável ainda mais para quem compra um tour privado? O que está acontecendo afinal? Você achou realmente que não iríamos perceber que você não quis nos acompanhar?

Neste momento ele percebeu meu tom sério e ficou sério também.  Sua feição mudou e os segundos pareciam horas!

Ele disse:

- Posso arriscar dizer que o Abdul não fez isso com vocês não é?

Bem, ele deu a deixa.

- Não, claro que não! Você tem razão! O Abdul foi um cavalheiro em todos os sentidos, não nos deixou sozinhas nem um momento! Acompanhou-nos em todos os passeios, e os passeios que fizemos o calor era de 45º!

Ele já havia manifestado certo ciúmes da forma que falávamos sobre o Abdul, dizia que ele havia nos dado mimos demais.

- Muito bem então! Acho que terei que mudar minha forma de fazer este trabalho, pois tenho duas garotas muito inteligentes para guiar.

A Pri me olhou com uma cara de quem ia pular no pescoço dele!

Respondi:

- Sim Haissan, você terá que mudar, para o seu bem, você terá que mudar! Ou mudamos nós!
E tenho que te dar razão! Você está sim com duas garotas muito inteligentes! Abdul percebeu isso no primeiro minuto em que nos viu! Você está muito atrasado!

Agora sim! Isso o deixou mais atento para o que estava acontecendo ali.

- Atrasados estaremos nós se eu não mantiver o horário para as visitas, são muitos lugares, vocês precisam andar mais rápido! Ele falou em tom ríspido.

Isso é injusto demais! Todos os prazos para as visitas foram respeitados, antes de ficarmos nos lugares combinávamos de 30 a 40 minutos em cada lugar. Cumprimos todos!

Tive que perguntar novamente.

-Haissan, quanto tempo tínhamos para esta visita?

- 40 minutos. Ele respondeu.

- Olhe no seu relógio e diga se o tempo foi respeitado.

Ele olhou e disse:

- Sim, foi.

- Então do que é que você está falando?

Sem resposta ele permaneceu calado, até que finalmente disse:
- Mas eu tenho que ficar apressando vocês o tempo todo! Isso cansa!

A fim de terminar esta conversa que já estava ficando desagradável para todos, em tom mais calmo falei:

- Haissan, você não precisa fazer isso, estamos sempre no horário, você está cansando à toa. Vamos combinar o seguinte: Faremos os passeios, você dirá o tempo e não ficará mais dizendo “Yala bina” a cada cinco segundos e todos ficam felizes ok?

- Ok. Ele falou.

Comecei a sorrir para quebrar o clima que estava fervendo!

Ele sorriu também! Mas um riso amarelo agora, o tipo de sorriso que se dá quando alguém pega numa mentira sabe?

Entramos na Van que estava estacionada.

Ainda bem que tudo ficou resolvido, espero que esta conversa tenha adiantado alguma coisa, pois ainda temos a tarde inteira de passeios.

Neste momento estamos indo para a Citadela, o ar condicionado dentro da Van é um bálsamo necessário, pois estávamos todos de miolos fervendo!

Nosso motorista o Ganso, estava de bem com a vida! Que bom! Arriscou um “Olá” em português quebrando o clima de “bronca” instalado na cara de todo mundo.

O caminho para lá é longo, dará tempo de conversar, ver as fotos e falar na língua do “i” que fui obrigada a ensinar para a Pri para que pudéssemos conversar em particular.

Haissan começou a mudança e, em menos de cinco minutos estava virado para trás conversando e falando sobre o lugar que estávamos indo. Sua voz estava normal, e seu discurso bem mais calmo, que bom... Pelo menos ele não é do tipo rancoroso!


Estamos todos mais aliviados com isso!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

18 - O Passeio de Camelo!



Aprendi algumas palavras em árabe, mas tenho certeza que uma delas jamais esquecerei: “Yala”. 
 Foram tantas vezes que eu e a Pri ouvimos esta palavra que certamente estará incorporado no meu vocabulário ocidental!

Descemos da pirâmide absolutamente em êxtase! É uma mistura de medo com surpresa! Visitamos tantos templos, com esculturas absolutamente lindas, pinturas e obras magníficas!
 Pessoalmente conheço lugares incríveis, mas nenhum deles me proporcionou tamanha surpresa e emoção como esta pirâmide!

Difícil mesmo é acalmar o Haissan, sempre que estamos sós, eu e a Pri comentamos o que poderá ser.
Ele é boa pessoa, sério, é mesmo. Mas tem uma ansiedade quase contagiante, olha no relógio seguidamente, sempre preocupado com o tempo, acha que se demorarmos muito em algum lugar não dará para visitar o próximo. E assim, ficamos a ouvir: “Sahara! Amira! Yala bina!”

Vamos agora fazer um passeio imperdível no Egito. Definitivamente, visitar as pirâmides e não passear de camelo ou pelo menos tirar uma foto é como entrar na água e não se molhar.

Concordei com a pressa do Haissan desta vez.

O dia está ajudando, está calor, mas tem um vento agradável, enquanto nos encaminhamos para os camelos, observo a grande fila de visitantes tentando entrar na pirâmide, lembrei do pequeno corredor de acesso, e fiquei aliviada por já ter estado lá com poucas pessoas!

Chegamos! Descemos da Van e percebe-se um numero bastante grande de turistas negociando com os donos dos camelos, não percebi na hora, mas agora quando lembro fico muito brava! Pagamos uma fortuna por este passeio! E aí que fico mais furiosa com o guia, pois ele foi o responsável por isso, por que é conhecedor dos valores e mesmo assim nos deixou passar por isso. Que saudades do Abdul!

Escolhemos os camelos e começam as orientações! Segura aqui, levanta ali! E lá vamos nós!

A Pri estava com uma dor nas costas e quase desistiu! Ainda bem que resolveu tentar. Por que foi muito legal!

Nosso condutor devia ter uns doze anos no máximo!  Mas muito sabidinho, fez as fotos, e ainda arriscou uma conversa em inglês!


O passeio é bem curto, nem de perto os 20 minutos que compramos! Fomos até um lugar para fazer as fotos com as pirâmides como fundo e começamos a volta. Mas mesmo assim rendeu alguns minutos de aventura! Olha só!

Por causa do vento em alguns momentos tem chiado... Sorry!




 

O meu camelo é muito simpático, apesar de saber que todos têm esta carinha de “riso” o camelo da Pri é mais tímido.
         
Fiquei com pena deste camelinho aí, tadinho... Olha o tamanho da tiazinha que ele está carregando!

   Vida de camelo deve ser difícil!

Mas de toda a experiência, o melhor é a descida! Nossa! Ele primeiro dobra as patas da frente e depois as de trás! Acho que dava para ouvir nossos gritos de dentro da tumba do Faraó!

Eu não sabia se me segurava, se pulava ou se pedia ajuda! De qualquer forma, enquanto eu pensava isso, o camelinho já tinha descido.

 Daí foi a vez da Pri... Virgem Santa! Ela me ganhou! As duas falavam ao mesmo tempo! Eu dizia:

- Pri, segura na frente com os dois braços esticados!

Ela dizia:                       

- Ai meu Deus! Eu vou cair, cuidado moço!     
           
- Aaaaai... Eu vou caaair! Cuidaaadooo!

Comecei a ficar nervosa ao perceber a legitimidade do momento! Ela estava realmente apavorada!
O menino só ria! Eles devem ter um ótimo humor, pois ao final do dia quando se encontram com certeza que eles falam dos turistas malucos que tiveram!

Graças a Deus ela desceu bem! Tadinha da minha amiguinha, depois até riu, mas o momento foi tenso!
Não sei não, mas acho que o meu camelo estava rindo disso!


                                                                Tá rindo sim!


                    Agora é gargalhada!                                  
       
Quando eu olhei para o Haissan ele também se dobrava de rir! Tivemos que concordar... A cena foi boa mesmo! Até o camelo achou.

O passeio foi ótimo, mas agora imagina o que ouvimos?

- Yalaaa!

Conhecer a esfinge!
            
                                         
                                                 

sábado, 29 de janeiro de 2011

17 - As Pirâmides de Gizé



Ao terminar o passeio na igreja da aparição fomos ao hotel para deixar as bagagens e logo em seguida sair novamente para assistir ao show de som e luz nas pirâmides, aquele que o Haissan insistiu tanto para vermos quando chegamos ao Cairo na primeira noite antes de pegarmos o cruzeiro.

Nas conversas dentro da van, como sempre, o tema principal era futebol, é quase obrigatório brasileiro saber os nomes de jogadores bem como qual time estão jogando, neste caso tive sorte, pois a Pri adora futebol e sabia dizer por onde andavam todos os jogadores que Haissan perguntou.

Eles disseram então que era costume no Egito dar nomes egípcios aos visitantes, creio que seja verdade, por que o Abdul já tinha nos batizado de Nefertari e Cleópatra em Aswan. Começaram a falar em árabe, acho que combinando qual nome nós teríamos.

Finalmente recebi o nome de Sahara que significa magia, luz e encanto, a Pri foi chamada de Amira que é o nome de uma princesa egípcia.

Pediram que escolhêssemos nomes brasileiros para eles. Depois de confabular escolhemos para o motorista um nome bastante ilustrativo, muito parecido com ele e o batizamos de “Ganso” para o Haissan escolhemos também um nome que traduzisse esta pessoa tão peculiar e o batizamos de “Pato”. Evidente que esclarecemos serem dois ótimos jogadores brasileiros. Então Haissan ficou feliz, pois, já conhecia o jogador.

Terei que admitir que Haissan tinha razão em insistir. O show é realmente maravilhoso! A história das pirâmides é contada em várias línguas por aparelhos com fones que pegamos logo na entrada.
O que segue é uma corrente de várias sensações juntas, o céu está claro, e é possível ver apenas a sombra das três pirâmides majestosas iluminadas pela luz da lua.
Em seguida todas as luzes se apagam e um som anuncia que o show vai começar!






Pela manhã sabemos que faremos a visita às pirâmides, após o show fomos para o hotel onde pudemos descançar e aguardar o grande momento.

As pirâmides estão localizadas na esplanada de Gizé, na antiga necrópole da cidade de Menfis, e atualmente integra o Cairo, no Egito. Elas são as únicas das antigas sete maravilhas que sobrevivem ao tempo.

As outras seis eram: O Farol de Alexandria, o Mausoléu de Halicarnasso, o Templo de Artemísia em Éfeso, o Colosso de Rodes, os Jardins Suspensos da Babilônia e a estátua de Zeus em Olímpia.

As pirâmides foram construídas há aproximadamente 4.500 anos, por volta de 2.550 a.C, como tumbas reais para os faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos – pai, filho e neto.
Em tempos remotos ao pé da escarpa corria um canal do Nilo, que separava a zona desértica da terra fértil.

                                          Foto do site: Wikipédia

As pirâmides estão dispostas diagonalmente com um enquadramento de noroeste a sudeste, de modo que nenhuma cobre o sol das demais, e foram construídas na margem oeste do Nilo, na direção do sol poente. Os egípcios acreditavam que, enterrando seu rei numa pirâmide, ele se levantaria e se juntaria ao sol, tomando seu lugar de direito com os deuses.

A grande pirâmide, como também é chamada, foi construída para ser a tumba do grande Faraó Quéops, da quarta dinastia cujo reinado se estendeu de 2551 a 2528 a.C. sob a supervisão do vizir Hemnu.
 Sua altura, corresponde a 49 andares e manteve-se como a maior construção feita pelo homem até a construção da torre Eiffel em 1900.

Para sua construção foram necessários 100.000 trabalhadores por mais de 30 anos, foram usados mais de 2.000.000 de blocos de pedra calcária, cada qual pesando em média duas toneladas e meia.
Sua altura original era de 146,60 metros, mas atualmente é de 137,16 metros, pois, falta a parte do seu topo e o revestimento.

             Devo aqui fazer uma confissão!

Juro que em toda minha vida nunca havia ficado tão maravilhada frente a um monumento. Quando ficamos em frente à pirâmide dá uma sensação absoluta de grandiosidade que nos coloca imediatamente na condição de formigas.

Aquele monumento gigantesco, erguido imponente e majestoso remete ao pensamento de que a raça humana é realmente digna de atenção por parte dos deuses.
Fica difícil descrever o sentimento que segue no minuto seguinte ao deparar-se com uma construção destas!
 Os olhos precisam de toda a inclinação do pescoço ao olhar para cima e poder ver a ponta da pirâmide. Ao olhar para a base é preciso virar para esquerda e para a direita fazendo seu queixo quase encostar-se aos ombros para apreciá-la por inteiro.
Imediatamente, senti uma taquicardia e tremi. É absolutamente impossível ficar indiferente quando estamos perto deste monumento. É mágico! Incrível! Absoluto!




Como sempre o Haissan interrompe com a sua habitual delicadeza este momento incrível para dizer que não poderia acompanhar-nos ao interior da pirâmide, alegou ser proibido que os guias entrassem. Em seguida começou as explicações relacionadas ás construções.



Achei até bom! Começamos eu e a Pri nossa caminhada para a fila de entrada, subindo nos blocos de mais de 4.000 anos para ter acesso a uma abertura feita por saqueadores de túmulos logo abaixo da entrada principal.



 Tivemos que deixar as máquinas de filmar e fotografar na entrada aos cuidados dos agentes que ficam recolhendo os ingressos. Fiquei temerosa com isso, principalmente por que não havia nenhum lugar específico para guardá-las e a única garantia de que as receberia de volta era um pedaço do numero que foi rasgado do meu ingresso.

Mas... Lá vamos nós pela entrada estreita e muito baixa pirâmide adentro!

 Imediatamente o ar fica resumido, há uma rampa entrecortada com pedaços de madeiras para auxiliar na subida. O ângulo é de quase 90º para poder caminhar. É desaconselhável para quem tem claustrofobia, pois a sensação não é muito boa!

O acesso é o mesmo para quem sobe e para quem desce, então, além do esforço para poder agarrar-se ao corrimão e ter que ficar muito curvada, a cada dois ou três passos é preciso encostar-se na parede para dar espaço para quem vem na direção contrária.

Como sempre, em todos os lugares que visitei há uma grande presença da comunidade japonesa, e desta vez não foi diferente! Ainda bem! Por que em minha opinião, são turistas muito educados e gentis, na minha frente havia uma família inteira e dei muita risada da forma em que eles, à medida que subiam, exclamavam em japonês e  em inglês.

Ao chegar no fim da rampa só tem duas escolhas: Ou você volta e dá o passeio por terminado ou abaixa mais um pouco e passa por uma abertura minúscula para finalmente entrar na câmara do rei onde estava a múmia do faraó.

                                    Foto Wikipedia -  Rampa de acesso

A Pri não entrou na câmara, preferiu como muitos dos turistas, tomar fôlego no final da rampa onde há um lugar para descanço.
 Eu, no entanto, respirei um pouco mais e entrei , junto com duas jovens da família japonesa que estavam à minha frente.

Ficamos as três, paradas com olhares congelados e creio que sentindo a mesma emoção, por que ao entrar logo começamos a sorrir e olhar umas para as outras esperando qual das três tomaria iniciativa em caminhar até o sarcófago e olhar lá dentro.
O ar é escasso, as paredes escuras tornam o ambiente ainda mais pesado, é inevitável pensar quanto tempo conseguirei ficar ali.
 Sei que este é um momento especial! Uma daquelas ocasiões em que a gente percebe que serão únicas e inesquecíveis, no entanto apesar de entender isso, começo logo a me organizar para terminar o que fui fazer e sair de lá assim que puder!

Procurei no meu dicionário mental em inglês algumas palavras de incentivo e convidei as duas para irmos até o sarcófago. Ambas se olharam e concordaram, estenderam as mãos para fazermos uma corrente. Achei isso tão bonitinho!
 Então, nós três de mãos dadas caminhamos a passos lentos, sentindo no corpo arrepios que congelavam até os mínimos cabelinhos, juro por Deus!

Afinal, é um sarcófago, a pirâmide é um túmulo e por mais que tudo isso seja lindo, ainda assim, somos invasores, esta idéia me incomodou. E sinceramente acho que a elas também.

Chegamos bem perto, e a apenas um passo de olhar dentro do sarcófago nossos olhares se cruzaram e finalmente dei o passo seguinte para olhar o que havia lá.

E não havia absolutamente nada... Nem poderia! Este lugar foi saqueado, invadido, molestado. Todo o esforço feito para proteger o rei e o seu corpo para além da morte foi em vão!
E agora estávamos lá a olhar para um sarcófago vazio e a perceber o quanto isso foi injusto frente a tanto sacrifício e trabalho!

                                         Foto Wikipedia - Sarcófago do Faraó Quéops

Agradeci a companhia e saí da câmara. Encontrei a Pri e começamos o caminho de volta, encostando a cada três passos na parede até a porta de saída.







                            Este vídeo mostra com exatidão o que vimos por lá!



Ao sairmos da pirâmide nem preciso dizer. Encontramos o Haissan lá em baixo acenando e falando: “Yalaaaa!!!”.

Sim Haissan já vamos...já vamos.