domingo, 26 de junho de 2011

O que dizer?

Normalmente sei o que dizer em qualquer situação, fui treinada para isso, fiz faculdade para isso, fiz pós, especializei, e faz 15 anos que trabalho com isso.

Estudei, treinei também para saber quando calar, tudo dentro de um contexto, controlado, especifico e normalmente por 50 minutos sei quando calar e quando falar, e me considero boa, afinal sou psicóloga, e entre outras coisas, é isso que fazemos.

Mas nunca, em nenhum momento da minha vida pensei viver o que vivi dia 23 de junho de 2011.

Estive ao lado de uma mãe segurando a mão de seu filho gravemente doente em seus últimos minutos de vida, e já sabíamos que estava perto, ela já sentia isso, eu também. Os médicos foram extremamente carinhosos a equipe de UTI também, a cada visita, a cada troca de plantão ele era visitado, mimado e acarinhado. 

 Isso por que antes de ser entubado para poder respirar, ele já tinha conseguido com simpatia e carisma conquistar a todos com um lindo sorriso. E o sorriso dele era fatal... E como era! Junto, vinha um olhar profundo e penetrante de brinde, era parte do kit herdado de sua descendência árabe, impossível ficar imune! Sim...impossível! E a gargalhada então!

 Um dos irmãos foi em casa o outro foi buscar alguém, saíram à contra gosto, a vontade era ficar, mas foi preciso, então foram.

Estava eu de plantão na porta da UTI esperando minha amiga querida sair para poder abraçá-la.

Ela finalmente sai e diz: 

- Cris, preciso ir ao banheiro, depois você entra comigo?

Eu disse:

-Claro!

Entramos as duas de mãos dadas, e lá está ele. Inconsciente, em coma induzido, e como nas outras vezes, entramos, falamos com ele, cumprimentamos com beijinhos nos espaços onde não havia tubos, máquinas ou curativos e ficamos ali. Por alguns segundos sem palavras.

Estou consciente da questão do tempo, a mãe também! Logo ela começa a falar com ele e entendi que este era o momento de apenas calar!

 Comecei então a falar os mantras do Reiki, mas eles saíam quase que automáticos, não conseguia me concentrar, meus pensamentos estavam confusos e me culpava por não estar conseguindo. Ao mesmo tempo entendia que o que estava por vir, era grande demais, então, sabia que precisava continuar. 

Fechei os olhos apertados na tentativa de focar minha atenção, e no segundo seguinte percebi que não precisava fazer isso, precisava apenas dirigir meu olhar amoroso, e deixar fluir de todas as formas o imenso carinho que sentia por aquele menino que ali estava. E foi o que fiz.

Ouvia o bip da máquina, controlando os batimentos cardíacos e as palavras daquela mãe a acarinhar seu filho com imensa ternura. Era possível apalpar o amor naquele momento de tão forte que estava manifesto!

E então segue o momento mais impressionante que vivi em toda minha vida!

Estamos segurando suas mãos, ela de um lado e eu de outro, então ela começa a falar:

- Filho! Meu amor, você sabe como a mãe te ama! Você é um filho maravilhoso! E eu estou muito orgulhosa de você! Pela coragem que você teve, pelo esforço que você fez, e entendo que você esteja cansado meu amor! Não se preocupe com a mãe, eu vou ficar bem. Apenas vá! Pode ir meu filho! Eu te amo!

Enquanto falava, beijava sua mão e braço acarinhava seu cabelo em gestos calmos, sua voz era firme, em nenhum momento demonstrou fraqueza, estava segura naquele momento.

O bip continuava o seu trabalho e neste momento as enfermeiras começaram a fechar as cortinas de outros pacientes, pois perceberam o que estava acontecendo ali, e aos poucos estavam todas atrás de nós.

E ela continuava.

- Eu te amo tanto meu filho, como eu te amo! Mas agora pode ir.


Ficamos todos em silencio e por fim o bip silenciou também. Ele foi.
A médica entrou, puxou o estetoscópio, averiguou e atestou o horário: 19:33.
O que seguiu não precisa contar basta imaginar.

Na hora não consegui, mas agora me pergunto que força é essa, de onde vem!
 Que poder é este que uma mãe tem de estar ligada ao seu filho desde as entranhas do seu ser, que o faz nascer para a vida e ao mesmo tempo alcança com a voz o profundo de um coma.

 Que força é esta que Deus deu às mães e somente a elas, que alcança em qualquer situação o melhor para o seu filho, mesmo que seja de forma definitiva.

Que poderoso é o sentimento de uma mãe, que reconhece na dor profunda o momento de entregar novamente seu filho amado ao criador!

Consegui poucas respostas, mas uma parece ser a melhor de todas.

O AMOR, este amor incondicional de mãe que alimenta, que nutre, que protege e que entrega. Somente este amor é capaz de dar força para um momento assim.

Mais tarde, enquanto aguardávamos os trâmites necessários, ela me pediu:

- Cris, por favor, divulga a importância da presença amorosa dos pais na vida de seus filhos, somente isso nos dá força para um momento como este.

Respondi:

- Sim amiga, divulgo com certeza!

E aqui esta!

Deixo aqui meu registro de profunda admiração a esta mãe, pela coragem e força, pelo grande exemplo que presenciei de amor incondicional e verdadeiro. O que me fez pensar e refletir sobre vários aspectos da vida e com os quais ainda estou a me questionar.

Sabemos, sentimos que ele foi em paz, foi um grande guerreiro! Corajoso, forte e resistiu á muitas intervenções, e à ele minha total admiração também!

Que Deus esteja com vocês, amparando e guiando sempre!

Com amor e afeto para esta família!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

História Para Mamães

Às voltas com minhas arrumações por conta das obras na minha casa, foi inevitável mexer em armários, pastas e caixas,  e entre tantas coisas que julgava perdidas para sempre inclusive fotos e CDs deparei-me com uma pasta que por muito pouco não foi jogada fora por estar escrito: “Contas pagas de 2007”.
Coloquei para o lado a fim de espiar depois, no entanto voltei a pegar e pensei, por que depois? Vou olhar agora e já coloco fora de uma vez.

Para minha surpresa, (Maravilhosa!) encontrei o rascunho de uma das muitas histórias que escrevi para a comemoração do dia das mães na Anjinhos & Cia, minha escolinha. Este era um dos meus prazeres, atualmente esquecidos. Criar histórias para minhas crianças.
Certa vez inventei uma que ajudava na escovação dos dentes que eu mesma lembrava quando tinha que escovar os meus enquanto usava aparelho.

Ao pegar as folhas amareladas, comecei a ler e a lembrar o quanto este tempo da minha vida foi importante e lindo para mim.

É uma história para mães.

Aqui está!

                                            

“ Era uma vez uma criança bonita e alegre que andava pelos universos à procura de uma mulher que pudesse ser sua mamãe. Estava ela percorrendo lugares a escolher alguém que ela não sabia como descrever, mas que sabia sentir.
Tinha que ser uma mulher que soubesse um montão de coisas. Precisaria ser meiga, carinhosa e alguns talentos de adivinhação também.
Procurando ia esta criança andando de mundo em mundo, espiando e perguntando a quem encontrava:

- Você sabe onde está minha mamãe?

Infelizmente, ninguém sabia responder.  E logo retomavam seus passos apressados para algum lugar.
Apesar de entristecida, ela continuava a procurar, e por vezes se distraia deitada em alguma grama aquecendo-se ao sol, colhendo flores e brincando com os animais que sempre lhe proporcionaram acolhimento e carinho.
Observava como eles criavam seus filhotes e, por vezes pensava que poderia imitar alguns para ter uma mamãe. Mas não dava certo! Sempre faltava alguma coisa, trombas, antenas ou asas...



Algo que parecia fácil foi se tornando muito difícil, e o cansaço foi tomando conta do seu ser. Precisava de uma mamãe!
E ao continuar o seu caminho, ela por estar sozinha, começou a sentir uma tristeza profunda, e pela primeira vez chorou. Seu peito começou a doer como se algo estivesse cravado nele! Os passos ficaram lentos e sentia suas forças saindo aos poucos.

Buscou então uma árvore de copa muito grande e sentou-se um pouco para descançar. Acomodou-se entre as raízes e ficou tão pequenininha que quase não se podia vê-la. Ali, sentindo-se só chorou até adormecer.

Ao acordar, o céu sempre tão claro estava escuro, e então pela primeira vez sentiu medo. A única coisa que lhe dava conforto eram as raízes daquela árvore que como braços a seguravam com ternura e a aqueciam.



Falou então:
- Quando achar minha mamãe, desejo que ela tenha um abraço assim, forte e protetor, que me faça sentir calma e feliz!


Nesse instante uma estrela brilhou no céu e iluminou a noite escura!



E então ela adormeceu e num sono profundo começou a sonhar com uma grande luz a lhe chamar, era tão forte este chamado que mesmo sabendo que era um sonho ela levantou-se e começou a correr ao seu encontro.
Sentia uma felicidade imensa!  Sentia que sua busca havia terminado. E enquanto corria com todas as suas forças pensava:

- Se a minha mamãe for uma estrela não faz mal, pois sempre saberei onde ela estará.

Porém à medida que pensava estar se aproximando o brilho foi sumindo, e por mais que ela corresse não podia alcançar e então ela acordou.

Meio zonza ficou imaginando o que havia acontecido. Não tinha entendido nada. Mas uma coisa era certa. Não esqueceria jamais o brilho daquela luz nem os “braços” daquela árvore.

Continuou então caminhando.
Dias e noites se passaram até que certa vez encontrou uma aldeia onde só existiam mulheres, e feliz ela pensou:

- Aqui deve estar minha mamãe!

Ao entrar na aldeia todas as mulheres vieram vê-la! E todas a queriam para si! A pegavam no colo, faziam cócegas, arrumavam seu cabelo e ela estava sentindo –se finalmente acolhida e feliz.
Estranhamente, porém, sabia que sua mamãe não era nenhuma delas, dentro de si, alguma coisa lhe dizia que seria maravilhoso ficar por lá. Elas seriam mamães do coração, o que também era muito bom! E já sabia que muitos como ela já haviam escolhido mamães assim, e estavam muito felizes!

No entanto, mais animada, resolveu seguir em sua busca, pois sabia que poderia voltar para esta aldeia, caso não achasse a sua mamãe.

Quando estava indo embora ouviu um lamento profundo que chamou a sua atenção.
Sentada embaixo de uma grande árvore estava uma mulher solitária. Seu corpo havia se acomodado de forma que as raízes daquela árvore a envolvesse como braços; atônita, a criança parou para olhá-la e no mesmo instante seu coração começou a bater muito forte, pois por algum motivo entendia aquela dor.

A mulher com os olhos baixos lamentava a solidão, e desejava profundamente dedicar seu amor a alguém.

- Por que está chorando?  Será que posso ajudar? Perguntou a criança.

Neste momento o dia que estava nublado começou a se iluminar e ao levantar os olhos esta mulher tinha o brilho de uma luz intensa que imediatamente a criança reconheceu!



Elas ficaram assim, se olhando como que absorvendo cada uma a sua parte perdida. Acriança então olhando para ela falou:

- Como eu te procurei! Eu escolho a ti para chamar de Mãe, aceita me acolher em teus braços?

A mulher falou:

- Acolher em meus braços? Ela respondeu.
Te aceito para lhe dar a vida, sempre que for preciso, por toda a eternidade!

Neste momento, abraçaram-se tão forte que ninguém sabe como, mas acriança entrou para dentro dela a ali acomodou-se aconchegada e feliz dentro da mulher que escolheu como mãe!

Ninguém sabe explicar direito, pois, ninguém viu, mas depois de um tempo aquela mulher que era triste caminhava sorridente entre os mundos olhando o por do sol, os animais e as flores, até que sua hora chegou e uma criança nasceu linda e forte já com um sorriso no rosto!

Muita gente tentou, mas ninguém conseguiu explicar como que aquela mulher tinha conseguido depois de algum tempo fazer nascer uma criança com um brilho tão intenso!

Sem conseguir dar um nome a isso, simplesmente disseram:

Esta mulher DEU A LUZ!

E hoje cada vez que olhamos nossos filhos é bem verdade que reconhecemos neles o brilho em seus olhos, venham de onde vierem, de dentro de nós ou por outros caminhos, mas a verdade é que eles por algum motivo nos escolheram e nós por algum outro motivo também os escolhemos.

Esta é apenas uma história, mas bem que tem seu fundo de verdade não é?




Beijo com carinho
Cris.

domingo, 3 de abril de 2011

Vantagens e Desvantagens de Escolas Grandes x Escolas Pequenas

Esta foi uma das primeiras dúvidas que tive quando precisei decidir sobre escolas.

Hoje tenho a certeza que na época, apesar de ainda ter algumas dúvidas, tomei a decisão correta.
Lembro de imaginar meu pequenino em um lugar onde ele pudesse sentir a segurança necessária para poder brincar e desenvolver-se livremente e ao mesmo tempo que "eu mãe" pudesse sair tranquila em sabê-lo feliz.

Estas considerações que vou fazer, são pessoais, e fundamentam-se na experiência de mãe e dona de uma escolinha, que apesar de não ser mais minha, ainda continua a exercer este papel tão importante na vida das crianças.

É sabido, que um bom suporte educacional fundamenta em grande proporção o desenvolvimento sadio da criança, por outro lado se isto não acontece com responsabilidade este momento torna-se uma referência com prejuizos em grande escala e de difícil contorno posterior, visto que, é nesta fase que a construção da personalidade está acontecendo.

Ao buscar uma instituição educacional para os filhos devemos estar atentas a alguns fatores importantes, a escola deverá ser um aliado ao suporte educacional que voce tem em casa, ou seja, ela não é a responsável pela educação dos nossos filhos, esta responsabilidade é nossa, dos pais, mas ela deve sim, incentivar e alavancar os valores que achamos importantes e com os quais compactuamos no nucleo familiar e social.

 Desta forma então, buscamos uma instituição que esteja alinhada com os valores que julgamos importantes serem estimulados nas nossas crianças.

ESCOLAS GRANDES:

Vantagens:  Ao buscar uma escola grande para dar inicio a socialização infantil, voce encontrará uma estrutura, teoricamente bem formada. Normalmente são escolas que investem bastante na formação dos profissionais, possuem brinquedos e salas de aula com boas condições de uso e um bom numero de assistentes para as atividades de higiene, recreação e atividades extras.

Estas escolas possuem uma linha educacional que é estimulada desde cedo, por exemplo: Se for uma escola católica, alguns elementos serão valorizados desde o jardim da infância, o mesmo acontece se for uma outra linha educacional. Isto não quer dizer que sendo de outra religião a criança não possa estar lá, não é isso, mas esteja ciente que alguns elementos estarão presentes na formação das crianças.

O mesmo acontece com escolas que, não tendo caráter religioso buscam valores que julgam necessários para a formação do caráter, ás vezes estimulando a competitividade alegando ser esta uma boa ferramenta para uma pessoa de sucesso. Isso deve ser  bem explorado e questionado pelos pais a fim de ver se eles estão em acordo com o que esperam para seu filho.

A adaptação da criança em uma escola grande pode facilitar seu desempenho posterior em situações onde ele precise das referencias sociais aprendidas desde cedo, à fim de buscar seu lugar no contexto no qual está inserido, logo este aprendizado sendo estimulado cedo dará a criança a segurança necessária para identificar rapidamente o que precisa ser feito para ser aceito.

Desvantagens:  O ambiente de uma escola grande muitas vezes deixa os pequeninos assustados, o que dificulta a adaptação, e a adaptação é o passo fundamental deste inicio.

O barulho, as brincadeiras  e até mesmo o espaço físico do local de recreação muitas vezes dificulta o processo inicial. Ela vem de um ambiente acolhedor cercada de atenção e o processo de transição para este outro espaço deve ser lento e gradual, o que muitas vezes não é possível pela grande demanda de atenção necessária para as outras crianças. A não ser que a escola tenha disponível alguém para fazer isso especificamente, o que é dificil.

Em escolas grandes normalmente as mães não tem permissão de estar no ambiente escolar para acompanhar este processo. Isto gera um alto nivel de ansiedade em ambos, e este é um grande complicador desta fase.

ESCOLAS PEQUENAS

Vantagens:  As escolas pequenas para educação infantil, possuem uma característica que em muito me encanta! Ao buscar um lugar para os pequenos o que esperamos sempre é que nossas crianças tenham individualidade, ou seja, todos sabem o seu nome desde a professora até a encarregada da limpeza da escola.

Logicamente que isso é muito mais fácil acontecer em um lugar pequeno do que em um lugar grande.

Lembro de quando estava fazendo a adaptação do Victor na escola, fiquei numa sala espelhada observando e chegou ao meu lado uma senhora que segurava uma vassoura e fez um comentário, ela disse: Voce é a Cristina mãe do Victor né? Olha como ele está se divertindo!

Aquilo foi tão importante para mim! A senhora da limpeza já sabia o nome do meu filho! E cá entre nós, quem gosta dos nossos filhos adoçam a nossa boca!

As salas de aula em escolas pequenas possuem capacidade menor, logo a chance do seu filho ser "ele mesmo" é de 100%. As professoras tem tempo de saber detalhes sobre seu filho e conhecendo-os bem a formação do vínculo é maravilhosa. E isso tranquiliza a todos! Mães, pais e filhos!

As atividades extra curriculares tem mais espaço para a inclusão da familia neste contexto, por exemplo, é comum ter o dia das histórias, onde algumas vovós são convidadas a fazer este papel. Alguns passeios também são acompanhados por algumas mães, o que é muito bom, pois isso também promove um novo circulo de amizades muito agradável.

Desvantagens: É possivel voce encontrar escolas pequenas que não possuem parceria com escolas grandes, é dificil, pois, atualmente isso esta acontecendo bastante, se este for o caso voce corre o risco de fazer uma quebra de estilos. O que não chega a ser um problema, pois acho que o melhor lugar para os pequeninos é aquele em que eles sintam-se protegidos e amados.

 Minha opinião pessoal, bem como a minha escolha à alguns anos atrás foi por uma escola pequena, adorava a forma como o Victor era ele mesmo lá dentro. Eu era a Cris, mãe do Victor, que gostava mais das aulas de artes do que das aulas de trabalhos com giz.


E isso foi fundamental para ele, pois sentia-se como em casa, eu o via feliz para ir e por lá fiz boas amizades, as quais mantenho até hoje!

Um beijo!

Cris

terça-feira, 29 de março de 2011

Escolhendo a Escolinha!


Eu sei...meu blog é sobre viagens ! Mas o que vou escrever foi o melhor de todos os roteiros que já fiz até hoje!

Para entender: Resolvi fazer um blog de viagens para contar as aventuras e desventuras minha e da Pri pelo Egito. Fazendo pesquisas encontrei o blog da Barbara, que morou no Egito e que prontamente se dispôs a me ajudar. Ela tem um blog muito legal passa lá! www.barbarasaleh.com

O momento da Barbrinha é o de entendimentos, descobertas, decisões e aprendizados sobre o mundo infantil, afinal ela é mãe do maravilhoso Kassem, que se não me engano vai fazer dois aninhos. Ele é lindo demais!

Então, assisti o programa onde ela e o Kassem foram o assunto, pois a abordagem era sobre o sono que insistia em se esconder deste menininho que acordava várias vezes durante à noite. Neste programa foram abordados vários temas e encaminhamentos relacionados com o desenvolvimento infantil, e é aí que eu entro.

Antes de poder fazer as malas e viajar tranquilamente pelo mundo, me formei em psicologia cursando à noite, criava o Victor que na época tinha quatro anos e trabalhava manhã e tarde. Tudo isso graças à ajuda do meu marido hiper fofo e companheiro.

E com a ajuda dele e da minha irmã montamos uma escola infantil que se chama Anjinhos & Cia.

E é por isso que este post agora existe para dividir com você Barbrinha e com todas as mamães que chegarem a minha experiência de oito anos como a “Tia Kis”, isso mesmo, o “R” não saía de jeito nenhum quando eles me chamavam,  amo este nome!

 E este post é dedicado ao meu professor Victor e a todos os meus aluninhos da escolinha que hoje são lindos rapazes e moças entre os 14 e 16 anos.

 Ei psiu! A tia Kis ainda ama muito vocês!

Sejam todas bem vindas à salinha da tia “Kis”


 
Tema de hoje: A escolha da Escolinha


Quando me formei percebi na minha cidade em Pelotas- RS uma carência muito grande em educação infantil e resolvi fazer uma escolinha daquelas onde mães e filhos tivessem o grande prazer em estar, o nome é Anjinhos & Cia. Existe ainda, para minha alegria!
 Precisei vender quando meu marido veio transferido para Curitiba, e felizmente quem comprou foi uma professora que eu gostaria de multiplicar por 1000...de tão talentosa que é!

Por que falo nas mães? Porque a primeira adaptação é das mães, e aqui começam as dicas que espero que você goste:

1) Uma escola legal, é aquela onde nós mães entramos com vontade de ficar também, ou seja, você entra e percebe instantaneamente um ambiente acolhedor e gostoso, ela deve atender primeiro a expectativa da MÃE!

obs: Olha só, nosso filho confia em nós certo? Se ele percebe nosso sentimento de receio ou medo em qualquer situação a criança irá imediatamente ter o mesmo sentimento.

2) A escolha da escola deve atender alguns critérios:

a) Boas indicações
b) Boa localização
c) Local TOTALMENTE adaptado para crianças (pode parecer bobagem, mas está cheio de lugares que dizem ser escolinhas e estão todos irregulares)

3) Ao fazer as visitas aconselho ir primeiro sem a criança será menos cansativo e você poderá posteriormente levá-lo apenas naquelas que você mais gostou.

O que observar:


1) Quando você for falar com a pessoa responsável pergunte, pergunte pergunte!

a) Quantas crianças em cada sala
b) Quantas ajudantes em cada sala
c) Qual a formação destas pessoas
d) Há quanto tempo trabalham com crianças e naquele local
e) Como é a hora da higiene, escovação de dentes, pipi etc...
f) Como é a hora do lanche
g) Qual é a rotina do dia

Pergunte mesmo...elas estarão com o seu tesouro! E se a escola é séria até vai gostar de responder estas perguntas.

e) Que atitudes eles tomam quando uma criança chora, se machuca ou quando eles  precisam chamar a atenção dela.

f) Qual linha educacional eles trabalham, tipo...como é feito o preparo educacional
das crianças.

g) Como é feita a devolução do desenvolvimento do seu filho, e com que freqüência.

h) Pede para ver as crianças brincando e observe como elas estão, se estão rindo, descontraídas, se tem muitas crianças chorando ou quietas, este é um ótimo indicador para avaliar o tipo de encaminhamento que a escola dá.

obs: Não se deixe levar pelo discurso, use seu coração! Tem muita escola com nome famoso que tratam as crianças como se elas estivesse num quartel...fica atenta!

O que observar:


a) As tomadas devem estar todas cobertas
b) Móveis arredondados, sem pontas ou quinas
c) Chão limpo e em locais de alto tráfego com antiderrapantes
d) Brinquedos em bom estado, bem como o material da sala de aula
e) Quais os profissionais que estão disponíveis para conversar com os pais, psicólogos, pedagogos, nutricionistas, recreacionistas...etc...
f) Portas de saída da escola, como é a proteção e o acesso.
g) Quais as atividades extras que a escola possui: natação, judô, musica, teatro...
h) Como é feito o acompanhamento nestas atividades (IMPORTANTÍSSIMO)


Próximo tema:

  - Vantagens e desvantagens de escolas grandes x escolas pequenas.

 
Super Beijo!

Cris

terça-feira, 15 de março de 2011

19 - A Esfinge de Gizé


As pirâmides, o passeio de camelo e a esfinge são todos muito perto um do outro, é passeio para uma manhã bem aproveitada.
Ao sair dos camelos Haissan nos encaminha para dentro da Van e logo começa a falar sobre a esfinge. É encantador estar nestes locais, lembro muito bem de quando estava na 8ª série e esperava para ouvir as aulas de história do mundo. Olhava as figuras nos livros, e sonhava.

Posso dizer que sou uma pessoa de muita sorte, muita mesmo! Minha lista de locais a visitar, feita naquela época, já está no lucro! Sonhar é preciso, e nisso sou boa investidora!

Mas como já falei antes, em nenhum lugar que visitei, senti tanta alegria como a que senti no Egito. É algo inexplicável. É preciso ir, estar lá! Se emocionar com a genialidade, com as histórias, com o berço da civilização! Voltei apaixonada pelo Egito!

Estar perto de construções magníficas como estas, é arrebatador!



Este gigantesco leão com rosto humano, talhado inteiramente na rocha, tem 21 metros de altura e 73 metros de largura.
Segundo o grego Heródoto, embaixo da Esfinge existe um templo rupestre conectado por meio de uma larga galeria com o “Lago” e a “Ilha” do sarcófago, escondidos nas vísceras da pedra que sustenta a pirâmide de Keóps.

O monumento foi descoberto e restaurado várias vezes, e outras tantas as areias do deserto voltaram a cobri-la. A restauração mais famosa foi a de Tutmosis IV, a quem, descansando um dia à sombra do colosso, lhe apareceu em sonho o deus da Esfinge, Harmakhis (“Hórus do horizonte”), que lhe incitou a empreender a piedosa tarefa de desenterrá-la, prometendo que se o fizesse, o tornaria rei do Egito, fato que aconteceu um tempo depois.

Entre as patas da Esfinge, há uma laje de granito onde está registrado o sonho de Tutmosis IV.

Ao observar o perfil da Esfinge se pode ver como o imponente e prestigioso monumento foi arruinado, como sempre, mais pelos homens do que pelo tempo: com efeito, os mamelucos exercitavam a pontaria tomando a cabeça da Esfinge por alvo desfigurando-a seguramente com uma bala de canhão.

O rosto tem cinco metros de altura e o nariz – onde resta apenas um pedaço- quase dois metros. A barba postiça, que lhe colocara Tutmosis IV, se conserva hoje no Museu do Cairo.


Após falar o básico sobre a esfinge, o Haissan disse que não poderia nos acompanhar todo o passeio, alegou ser proibido para os guias entrarem nos monumentos. Lamentei bastante, ainda insisti um pouco, mas ele disse que não poderia mesmo.

Marcamos um local de encontro na saída, e fomos eu e a Pri conhecer de perto a Esfinge.

Ao chegar lá, nos deparamos com vários guias acompanhando grupos, contando histórias, fazendo fotos, e caminhando sem problema algum dentro do complexo.

Bem, nem preciso dizer o quanto isso nos deixou chateadas! Combinei com a Pri, que ao sair daria um ultimato neste garoto...


Lamentavelmente, não pude entrar no Templo da Esfinge, o Haissan não avisou que deveria usar o mesmo ticket da pirâmide, e eu o havia deixado na van. 

 A Pri mais precavida estava com todos juntos. Lamentei de verdade! Lição aprendida!
 Mas ela fez fotos lindas por lá. Eu fiquei torrando no sol, observando os turistas entrando com seus guias no Templo e esperando...


                                                      Entrada do Templo da Esfinge


Terminada a visita, nos encaminhamos para a saída. Ao encontrar Haissan, pensava o que iria dizer para melhorar a qualidade das nossas visitas. Este lugar é longe, estamos realizando um sonho, e deparamos com um guia apressado, ansioso e definitivamente com preguiça de falar. Meu Deus!
 Além do mais as desculpas são sempre as mesmas, ou ele não pode acompanhar ou ele diz que precisa ir ao banheiro.

Ao mesmo tempo, penso sempre, que existem formas e formas de chamar a atenção de alguém. Não é preciso ser desagradável, nem grosseira, mas definitivamente era o momento de colocar as coisas em perspectiva, pela segunda vez!

Assim que ele se aproximou respirei fundo e com um ar sério e calmo perguntei:

-Haissan, por que foi mesmo que você não nos acompanhou neste passeio?

Ele respondeu:

- Por que não é permitido os guias acompanharem. Falou isso com um ar de riso displicente.

Neste momento precisei de controle, a Pri ao meu lado, dava um passo à frente e outro atrás. Imagine a careta que ela fez!

Ele estava mentindo com a cara mais deslavada do mundo!

Então fiz outra pergunta:

- Se não é permitido os guias acompanharem, como é que todos os grupos que estavam lá estavam com guias? Todos eles entraram sem problemas, circularam com os turistas, fizeram fotos, responderam perguntas, entraram no Templo. Como eles entraram?
Diga-me: Todos eles estavam desobedecendo às regras?

Ele disse:

- Sim estavam! Ainda rindo.

E prossegui falando:

- Este é um dos lugares mais visitados do mundo! Você acredita que fazer este passeio sem o acompanhamento de um guia é algo aceitável ainda mais para quem compra um tour privado? O que está acontecendo afinal? Você achou realmente que não iríamos perceber que você não quis nos acompanhar?

Neste momento ele percebeu meu tom sério e ficou sério também.  Sua feição mudou e os segundos pareciam horas!

Ele disse:

- Posso arriscar dizer que o Abdul não fez isso com vocês não é?

Bem, ele deu a deixa.

- Não, claro que não! Você tem razão! O Abdul foi um cavalheiro em todos os sentidos, não nos deixou sozinhas nem um momento! Acompanhou-nos em todos os passeios, e os passeios que fizemos o calor era de 45º!

Ele já havia manifestado certo ciúmes da forma que falávamos sobre o Abdul, dizia que ele havia nos dado mimos demais.

- Muito bem então! Acho que terei que mudar minha forma de fazer este trabalho, pois tenho duas garotas muito inteligentes para guiar.

A Pri me olhou com uma cara de quem ia pular no pescoço dele!

Respondi:

- Sim Haissan, você terá que mudar, para o seu bem, você terá que mudar! Ou mudamos nós!
E tenho que te dar razão! Você está sim com duas garotas muito inteligentes! Abdul percebeu isso no primeiro minuto em que nos viu! Você está muito atrasado!

Agora sim! Isso o deixou mais atento para o que estava acontecendo ali.

- Atrasados estaremos nós se eu não mantiver o horário para as visitas, são muitos lugares, vocês precisam andar mais rápido! Ele falou em tom ríspido.

Isso é injusto demais! Todos os prazos para as visitas foram respeitados, antes de ficarmos nos lugares combinávamos de 30 a 40 minutos em cada lugar. Cumprimos todos!

Tive que perguntar novamente.

-Haissan, quanto tempo tínhamos para esta visita?

- 40 minutos. Ele respondeu.

- Olhe no seu relógio e diga se o tempo foi respeitado.

Ele olhou e disse:

- Sim, foi.

- Então do que é que você está falando?

Sem resposta ele permaneceu calado, até que finalmente disse:
- Mas eu tenho que ficar apressando vocês o tempo todo! Isso cansa!

A fim de terminar esta conversa que já estava ficando desagradável para todos, em tom mais calmo falei:

- Haissan, você não precisa fazer isso, estamos sempre no horário, você está cansando à toa. Vamos combinar o seguinte: Faremos os passeios, você dirá o tempo e não ficará mais dizendo “Yala bina” a cada cinco segundos e todos ficam felizes ok?

- Ok. Ele falou.

Comecei a sorrir para quebrar o clima que estava fervendo!

Ele sorriu também! Mas um riso amarelo agora, o tipo de sorriso que se dá quando alguém pega numa mentira sabe?

Entramos na Van que estava estacionada.

Ainda bem que tudo ficou resolvido, espero que esta conversa tenha adiantado alguma coisa, pois ainda temos a tarde inteira de passeios.

Neste momento estamos indo para a Citadela, o ar condicionado dentro da Van é um bálsamo necessário, pois estávamos todos de miolos fervendo!

Nosso motorista o Ganso, estava de bem com a vida! Que bom! Arriscou um “Olá” em português quebrando o clima de “bronca” instalado na cara de todo mundo.

O caminho para lá é longo, dará tempo de conversar, ver as fotos e falar na língua do “i” que fui obrigada a ensinar para a Pri para que pudéssemos conversar em particular.

Haissan começou a mudança e, em menos de cinco minutos estava virado para trás conversando e falando sobre o lugar que estávamos indo. Sua voz estava normal, e seu discurso bem mais calmo, que bom... Pelo menos ele não é do tipo rancoroso!


Estamos todos mais aliviados com isso!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

18 - O Passeio de Camelo!



Aprendi algumas palavras em árabe, mas tenho certeza que uma delas jamais esquecerei: “Yala”. 
 Foram tantas vezes que eu e a Pri ouvimos esta palavra que certamente estará incorporado no meu vocabulário ocidental!

Descemos da pirâmide absolutamente em êxtase! É uma mistura de medo com surpresa! Visitamos tantos templos, com esculturas absolutamente lindas, pinturas e obras magníficas!
 Pessoalmente conheço lugares incríveis, mas nenhum deles me proporcionou tamanha surpresa e emoção como esta pirâmide!

Difícil mesmo é acalmar o Haissan, sempre que estamos sós, eu e a Pri comentamos o que poderá ser.
Ele é boa pessoa, sério, é mesmo. Mas tem uma ansiedade quase contagiante, olha no relógio seguidamente, sempre preocupado com o tempo, acha que se demorarmos muito em algum lugar não dará para visitar o próximo. E assim, ficamos a ouvir: “Sahara! Amira! Yala bina!”

Vamos agora fazer um passeio imperdível no Egito. Definitivamente, visitar as pirâmides e não passear de camelo ou pelo menos tirar uma foto é como entrar na água e não se molhar.

Concordei com a pressa do Haissan desta vez.

O dia está ajudando, está calor, mas tem um vento agradável, enquanto nos encaminhamos para os camelos, observo a grande fila de visitantes tentando entrar na pirâmide, lembrei do pequeno corredor de acesso, e fiquei aliviada por já ter estado lá com poucas pessoas!

Chegamos! Descemos da Van e percebe-se um numero bastante grande de turistas negociando com os donos dos camelos, não percebi na hora, mas agora quando lembro fico muito brava! Pagamos uma fortuna por este passeio! E aí que fico mais furiosa com o guia, pois ele foi o responsável por isso, por que é conhecedor dos valores e mesmo assim nos deixou passar por isso. Que saudades do Abdul!

Escolhemos os camelos e começam as orientações! Segura aqui, levanta ali! E lá vamos nós!

A Pri estava com uma dor nas costas e quase desistiu! Ainda bem que resolveu tentar. Por que foi muito legal!

Nosso condutor devia ter uns doze anos no máximo!  Mas muito sabidinho, fez as fotos, e ainda arriscou uma conversa em inglês!


O passeio é bem curto, nem de perto os 20 minutos que compramos! Fomos até um lugar para fazer as fotos com as pirâmides como fundo e começamos a volta. Mas mesmo assim rendeu alguns minutos de aventura! Olha só!

Por causa do vento em alguns momentos tem chiado... Sorry!




 

O meu camelo é muito simpático, apesar de saber que todos têm esta carinha de “riso” o camelo da Pri é mais tímido.
         
Fiquei com pena deste camelinho aí, tadinho... Olha o tamanho da tiazinha que ele está carregando!

   Vida de camelo deve ser difícil!

Mas de toda a experiência, o melhor é a descida! Nossa! Ele primeiro dobra as patas da frente e depois as de trás! Acho que dava para ouvir nossos gritos de dentro da tumba do Faraó!

Eu não sabia se me segurava, se pulava ou se pedia ajuda! De qualquer forma, enquanto eu pensava isso, o camelinho já tinha descido.

 Daí foi a vez da Pri... Virgem Santa! Ela me ganhou! As duas falavam ao mesmo tempo! Eu dizia:

- Pri, segura na frente com os dois braços esticados!

Ela dizia:                       

- Ai meu Deus! Eu vou cair, cuidado moço!     
           
- Aaaaai... Eu vou caaair! Cuidaaadooo!

Comecei a ficar nervosa ao perceber a legitimidade do momento! Ela estava realmente apavorada!
O menino só ria! Eles devem ter um ótimo humor, pois ao final do dia quando se encontram com certeza que eles falam dos turistas malucos que tiveram!

Graças a Deus ela desceu bem! Tadinha da minha amiguinha, depois até riu, mas o momento foi tenso!
Não sei não, mas acho que o meu camelo estava rindo disso!


                                                                Tá rindo sim!


                    Agora é gargalhada!                                  
       
Quando eu olhei para o Haissan ele também se dobrava de rir! Tivemos que concordar... A cena foi boa mesmo! Até o camelo achou.

O passeio foi ótimo, mas agora imagina o que ouvimos?

- Yalaaa!

Conhecer a esfinge!