segunda-feira, 30 de julho de 2012

O tempo e o infinito


Ontem fui visitar meu pai na cidade onde mora, fica a pouco mais de 200 km da minha casa, saímos pela manhã, e eu após uma noite mal dormida, acordei com areia nos olhos, típico de quem dormiu tarde e acordou cedo, fiquei aguardando a chegada do filho que foi para a balada e que eu “abalada” de preocupação fico assistindo filme e passeando pela net. To acostumando já.

Sou a que mora mais perto dele, e confesso não ser tão assídua nas visitas quanto gostaria de ser, vou melhorar isso!

Enquanto a estrada aparecia pela frente, vinham também memórias interessantes. Viajar é a palavra que define minha infância e adolescência, incontáveis vezes colocamos malas, cachorro, lanches e brinquedos  bem acomodados no bagageiro para sair por aí a fora.

O banco de trás era dividido milimetricamente pela metade, minha irmã e eu nesta época éramos peritas em distrair nosso pai com as brigas, tudo era motivo, o espaço do banco, a janela aberta, as balas que eu insistia em comer a mais do que ela (rsrs), e ela a soltar o choro com toda a força dos pulmões!

Com nossa mãe viajava uma colher de pau, e quando a coisa ficava difícil ela voava aquela colher para todo lado, para cima e para baixo, em ziguezague e azar de quem estivesse no lugar errado e na hora errada, a idéia não era acertar, mas de vez em quando ela pegava em cheio... E entre sustos e risos tudo se acalmava.

Fonte: Google
Eu sorri, mas meu o coração chorou. Quanta saudade meu Deus! Coloquei os óculos escuros rápido, pensamentos são flechas velozes.

Estou indo visitar meu pai, ele fará 83 anos no próximo dia 6 e neste dia não estaremos juntos, ele resolveu viajar. Ok ele pode o que quiser.

O dia esta bonito na serra, que cheiro bom este de mato com estrada, do tipo que fica melhor com sol, a infância veio e voltou, o riso e o choro se alternaram e a máquina do tempo esteve ali, comigo dentro.

Chegamos para o almoço, a porta aberta traz o sentimento bom de estar sendo esperada, só na casa dos pais sentimos isso, esta volta ao que sempre foi, mesmo já tendo percorrido tanto, transforma o momento presente em algo infinito, não há como explicar o passo a passo, voltamos aos cinco, aos dez, aos trinta e tudo se junta no abraço que permanece o mesmo 47 anos depois.

O almoço está delicioso, conversamos amenidades, meu marido e ele falam de futebol, do tempo, eu e a esposa dele trocamos receitas, tudo junto em conversas cruzadas, é assim mesmo, e todo mundo se entende.

Ficamos na mesa eu e meu pai falando sobre Deus, religiões, bíblia, internet, papo bom de entendimento, de algumas coisas discordo, outras deixo como estão e outras concordo plenamente, os minutos correram! Sim, apressou-se, tenho certeza!

Aviso que precisamos ir e ele busca um DVD de tangos, sabe que eu gosto, e fala:

- Para ti filha!

Voltei no tempo novamente, no dia em que ele e minha mãe dançavam um tango, na verdade ganharam um concurso, e a máquina fechou-se novamente comigo dentro! Outra vez a saudades arremessou sua flecha e me acertou em cheio! Fui mais corajosa desta vez, segurei o choro legal, quantos músculos serão necessários para isso? Devem ser muitos, por que doeram de verdade.

Respondi com um sorriso:

- Que lindo pai! Este eu não tenho, vou adorar com certeza! Obrigada!

Ele está sorrindo, talvez tenha lembrado este dia também, milésimos de segundos passaram e o abracei novamente, olho no olho seria difícil agora.
Despedimos-nos, agradeci o almoço, outro beijo e abraço e as recomendações de sempre:

- Boa viagem, não corre na estrada e liga quando chegar tá?

- Ta bom pai! Pode deixar!

Começo então a caminhada pelo corredor de saída.

- Filha!

Viro para trás e o vejo com um sorriso largo a estampar seu rosto.

- Foi muito bom conversar contigo!

Sorri também ao responder:

- Eu também adorei pai!

Apertei o botão imaginário da minha máquina, temos este poder, congelei esta frase com este sorriso,  acomodei o coração de mansinho, bem devagar, para apenas registrar o que foi sentido.

Aprendi algumas coisas de março para cá, e uma delas foi a de valorizar os momentos de afeto com toda minha força, entendi que quero tudo! Quero o olhar, a palavra o abraço e o DVD, quero o futuro e quero o agora, minha máquina do tempo tem um arco e uma flecha dentro, elas são minhas e as uso o quanto puder sempre que quiser.

O tempo é o senhor, é ele quem manda e apesar de viver o tempo como se ele fosse infinito, descobri que ele é infinito sim, mas apenas enquanto guardar o que amo, por que estarão sempre lá, descobri que o tempo é contraditório também, pois ele acaba quando queremos que ele fique!

Estamos na estrada novamente, a vida segue e é preciso fazer o caminho de volta.

Vivemos o tempo como se ele fosse infinito, e para mim certamente este momento, será!

Te  amo pai! (Apertei novamente o botão Congela, bem na parte do meu sorriso!)




Bendito o tempo e o infinito!

PS: Esta frase era de um poema falado em uma novela.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Gentileza gera...



Quase que dando continuidade ao post anterior, ando realmente me perguntando sobre qual nosso papel neste mundão de Deus!

Não escrevi semana passada, pois estive envolvida em um projeto que esteve e ainda está utilizando quase todos os meus neurônios até mesmo quando durmo, mas definitivamente está difícil não comentar algumas coisas que aparecem gritantes ao meu entender.

Alguns dias atrás houve em Curitiba a “marcha das vadias” comentei em uma rede social a incoerência deste protesto onde a mulher desfila nua para reivindicar respeito, acho isso contraditório, já que por definição de sociedade devemos respeitar as pessoas, caminhar nua com o corpo pintado para pedir respeito não parece atender este conceito mas...

Daí ligo a televisão e assisto um ditador dizimar seu povo, matando civis por que não quer sair do cargo vitalício de boa vida, ninguém consegue fazer nada por que dois países sempre votam contra qualquer tipo de sanção para dar fim a isso, e as pessoas continuam morrendo.

A policia mais do que nunca está matando primeiro para perguntar depois, foram-se deste mundo dois jovens em situações idênticas, assassinados pela policia.

Um jovem entra no cinema, atira e mata mais de dez pessoas, fere mais de cinqüenta e deixa no seu apartamento várias bombas prontas para explodir.

Nossos políticos então, nem vou comentar, que país para produzir corruptos! Que vergonha tenho disso!

Sério, estou me perguntando onde eu estava antes de 2012, por que não me lembro de ter presenciado nem sentido tantas variações emocionais como agora e já entendi que este é um sentimento comum pela reação das pessoas do post anterior, mas é também um movimento meu, interno, revolucionário e sem volta, será que este ano trouxe algum kit extra de percepções? Ou está tudo mesmo permeado de maldade, descontrole, as pessoas apertaram o “F” para o correto, para a gentileza para a educação. Que é isso?

A loucura está solta pelo mundo, e está forte, veio junto com a insanidade, na verdade acho que é uma gangue, do tipo:”Vamos acabar com tudo!” E estão por aí! Nas ruas, passando por nós pelas calçadas, comendo nos mesmos restaurantes, comprando nas mesmas lojas, podem ser até mesmo nossos vizinhos. Quem duvida?

O que aconteceu com as pessoas? Nosso ponto crítico ficou tão bombardeado de noticias tristes que estamos como o sapo dentro da panela que não percebe a água ferver, faz tempo que não vejo histórias bem contadas de alguém que superou algo difícil, de alguém que tenha resolvido algum problema comunitário ou que tenha feito algo bacana por outra pessoa, se alguém souber, por favor me conte!

Estou inconformada com isso, mas o que fazer? Os bandidos são muitos e são fortes, estão armados de canetas e revólveres e eu sou apenas uma! Apenas uma!!

Ou não!

Buscando um alento para as minhas lamentações (rsrsrs), lembrei de uma técnica que utilizo muito no consultório, que é assim: Quando o quadro vigente é muito amplo, muito intenso, sempre volto ao começo de tudo, busco informações do nascimento, infância, adolescência e esta viagem sempre me dá recursos para resolver algumas dificuldades do presente. E lembrei que sempre fui uma criança risonha (ai, que saudades de mim!)

É o que estou fazendo, comigo mesma e com os que me cercam, já explico.

Muitas vezes pequenas atitudes transformam o dia e a vida das pessoas, possivelmente uma pequena gentileza feita por você ao dar um “bom dia”, dar a vez no transito, surpreender um desconhecido com um elogio, dizer “obrigada” ao garçom, pequenos gestos, pequenas bondades, não só com os amigos, mas com o desconhecido mesmo, com aquele que você não conhece, com aquele que provavelmente nunca mais você vai ver.

Estes gestos tem poderes incríveis! Surpreendentes e geram uma cadeia inimaginável de respostas positivas, e é esta a nossa reação contra o mal!

É praticamente impossível alguém ficar indiferente a um sorriso, mesmo que não demonstre, ele sempre traz luz, sempre provoca um sentimento bom, atravessa facilmente qualquer barreira, isso deve ser uma escolha interna, uma escolha pessoal que vai sobressair a qualquer movimento emocional que esteja passando, é a lei da ação e reação. Ela existe, garanto!

Alguém já disse: “Para que o mal vença, basta que os bons não façam nada”.

Vou fazer a minha parte, isso não quer dizer que estou entrando em um surto de “Pollyana”, e nem que vou sair por aí dando abraços e sorrisos indiscriminados feito uma lelé, mas quer dizer que estou disposta a tentar alguma coisa para tirar esta murrinha de inconformismo que tanto tem me inquietado.

E então ta a fim?

Por que de uma coisa eu sei: “Gentileza gera...

Beijo carinhoso

Cris.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Será?

Cheguei a uma conclusão importante sobre mim, estou uma pessoa preguiçosa, achei que iria demorar um "tanto" mais para finalmente assumir este conceito, mas sim... Estou preguiçosa e muito.

Tenho observado meus comportamentos e graças a algumas conversas com uma amiga que também é psicóloga pude finalmente assumir para mim mesma que estou acometida de uma lentidão de pensamentos arrasadora e por vezes uma vontade inexistente de responder algumas perguntas ou de explicar algumas coisas, ela simplesmente não vem!

Pensei que inicialmente isso teria correspondência com o meu momento de luto, não descarto a possibilidade, é possível que após viver momentos como estes, as pessoas que são jogadas em um turbilhão de emoções que chegam aos montes, ficam mesmo sem vontade de discorrer sobre alguns assuntos, ou sobre vários, não sei ainda.

O fato é que minha mente e coração estão literalmente dormindo para alguns assuntos  do tipo: preconceito, noticias tristes da televisão, prepotência, raiva,  briga de vizinho, o canalha que sempre se dá bem, mentira, políticos corruptos, a chata da Carminha com raiva da Rita e a chata da Rita vingando-se da Carminha, gente cínica, gente que só pensa em se dar bem  e por aí vai...Não é que não me importe, mas sabe, creio que as opiniões que já dei a respeito estão boas, e não quero mais falar a respeito.

Esgotei meu tempo e paciência para estes assuntos, tirei férias destas opiniões, me demiti deste compromisso, e aqui vai minha admiração pelo meu pai, ele é jornalista e escreve em uma coluna para um jornal em SC, é ativo em suas opiniões, escreve sem medo, manda ver mesmo! Meu pai está jovem!


Estou precisando de calma, buscando coisas que ao invés de me deixar irritada me deixem simples, rindo sozinha, noticias que tragam conquistas, coisas que as pessoas entenderam, quero ver fotos de crianças e animais encontrados, de descobertas científicas, de uma dança bem executada, uma noticia boa sobre um amigo, situações e encontros ao “acaso” que deram certo só isso.

Estou pedindo muito? Talvez, mas sinceramente, sinto falta das noticias boas, de conversas inteligentes ou silêncios cheios de entendimento, sinto falta de tirar fotos quando estava sorrindo ou com os braços para cima em uma clara menção a Deus, sinto falta da gratidão, da mensagem no celular, sinto falta de encontrar com amigos pela rua e ficar numa rápida conversa, cadê tudo isso?

Quero a poesia do Quintana, o tango do Gardel e um dia de sol.

Há uma outra possibilidade a se pensar, talvez esteja mesmo ficando velha, apesar de não me sentir assim, mas alguns gostos também mudaram, hoje assisto ópera e até entendo o que está acontecendo, já aprendi a fazer  empadão , não me importo mais com as buzinas atrás de mim, encaro com simpatia os assovios  vindo das obras e tenho demorado mais nos abraços.


Concluo que a idade dá direitos, argumentos e aumenta o livro de receitas, concluo que as fotos e os programas de televisão são escolhas, e que a idade para mim está lapidando opiniões.

Estou de férias dos assuntos chatos, das tragédias e de pessoas falsas, de férias para quem me procura apenas quando precisa de algo, de férias para os antipáticos que nem dão “bom dia” no elevador, na verdade para estes estou invisível, e que permaneça assim, não quero contato.

Estou de férias por tempo indeterminado destes assuntos e pessoas que só chegam para desestabilizar e tirar de mim, mesmo que um pouco, a minha energia tão preciosa.

Pronto! Falei!

Acho que estou ficando velha e preguiçosa...Será?

domingo, 1 de julho de 2012

Você sabe com quem está falando?

Fonte: Google



Eu achei que esta pergunta era algo do tipo “lenda urbana”, mas sabe que não é? Ela existe mesmo!

Esta não é uma obra de ficção.

Sábado pela manha, aproveitando o dia lindo que estava por aqui acordei um pouco mais cedo do que o normal coloquei um jogging, amarrei o cabelo e fui  dar uma caminhada, incrível o que um dia de sol é capaz de inspirar em se tratando desta cidade!

Voltei satisfeita com a minha decisão matinal, percebi o adiantado da hora e ao invés de pilotar o fogão resolvi comprar comida em uma casa de massas e congelados da qual sou fã e assídua frequentadora, minha opção salva vidas nestas situações.

Há muitas facilidades nesta escolha, mas três são bem importantes: Fica bem perto da minha casa, as comidas de lá são deliciosas, e o estacionamento tem um recuo na calçada onde há quatro vagas para estacionar em diagonal, elas normalmente estão sempre ocupadas, para minha sorte havia apenas um carro apesar do lugar estar cheio.

Entrei ainda em dúvida do que comprar, circulei um pouco, escolhi, fui para o caixa, paguei e quando quis sair percebi um carro estacionado exatamente atrás do meu. Eu não entendi, pois havia duas vagas sobrando, mas para você entender: A manobra para estacionar resume-se em virar à esquerda e ficar entre os traços que demarcam a vaga. Simples assim!

Larguei a comida no banco e retornei para perguntar de quem era o carro, naturalmente esperando uma resposta do tipo: “É meu, desculpe!”.

Ao invés disso ouvi em tom alto e contrariado:

- É meu, por quê?

Ainda com um sorriso simpático, ia começar a falar que precisava sair quando me deparo com uma mulher de meia estatura, com idade entre os 45 e 50 anos, cabelo curto e laranja, vestindo uma blusa branca transparente e com o braço cheio de pulseiras barulhentas sacudindo a chave do carro enquanto levantava a mão.

Tirei o sorriso da cara e falei séria:

- Você pode tirar o carro para eu sair, por favor?

A resposta foi tão imediata quanto surpreendente:

- Não, mas você pode esperar até eu escolher e terminar de comprar meu almoço, quando eu sair você sai.

Pausa: Até poucos minutos atrás eu estava bem humorada, feliz com o lindo dia de sol, comprando um almoço delicioso, planejando uma tarde de encontro com amigas me deparo com alguém determinada a sair de casa para empacar o samba de outro alguém. E de quem era o samba? Meu claro!

Minha cabeça deu branco, sério! Demorei a contabilizar, estou de saída e preciso esperar alguém que acabou de chegar, que ainda vai escolher, embalar, entrar na fila do caixa para depois tirar o carro que está atrás do meu e então eu poder sair?

Sim era isso. Foi o que ouvi.

Mesmo assim tive dúvida, mas a postura prepotente desta senhora foi convincente. Acreditei nela.

As pessoas já estão virando para trás, os pacotes ficam suspensos à espera dos seus donos e neste momento o silencio já se mistura ao perfume extra forte inapropriado para a hora e local.

Entendi tudo! Atenção, é o que ela quer, certamente está triste, precisando de companhia um pouco de afeto sei lá! As pessoas encontram maneiras estranhas de pedir ajuda, e às vezes as coisas ficam esquisitas, vai saber!

Ou, é alguém prepotente, invasiva, inadequada, mimada, sem limites, típica de alguém perdido, sem contexto e com total falta de educação.
Ainda em dúvida pelo inusitado da situação respondi firme, mas educadamente:

 - Não!Eu não posso e não quero esperar você comprar suas coisas para poder sair, tem vaga aqui ao lado, tira o carro, por favor!

Estou na porta e neste momento ela já caminha em minha direção e faz uma pergunta:

- Você sabe com quem está falando? Por que você não faz uma manobra e sai?

Sim, como já disse, esta pergunta existe! E acabou de ser feita para mim, que incrível!

Pronto, já estou ciente do acontecido, acabaram-se as duvidas e a resposta é a segunda opção que acabei de citar.

Já de posse do meu controle e com sério risco do meu almoço esfriar, usei uma resposta que li em um e-mail bem conhecido.

- Não S E N H O R A! (esta parte falei bem devagar e sorrindo), não sei com quem estou falando, mas se precisar da minha ajuda, posso ligar para alguém que possa ajudar identifica-la, quer?

Alivio geral. Todos começam a rir, e o embaraço foi visto no rubor imediato que fez contraste com o cabelo laranja, quase tive pena, mas foi quase. Passou bem rapidinho.

Não tenho paciência com este tipo de comportamento.

Ela tirou o carro, voltou para comprar seu almoço e eu fui embora pensando.

“Tomara que alguém saiba a resposta da pergunta que ela me fez! Por que se não, o que ela vai dizer quando atender ao telefone e alguém perguntar: Quem está falando?”

Coisas da vida!


domingo, 17 de junho de 2012

Amigos!


Confesso que ando meio nostálgica, desde o inicio do ano quando entrei no período mais difícil da minha vida e fui praticamente encaminhada à força para aprendizados dos quais só havia “ouvido” falar, digo isso literalmente, pois, sendo psicóloga, escuto dores da alma em seus mais variados níveis.

É inegável a ajuda terapêutica para superar um luto, já escrevi sobre terapia alguns posts atrás, e viver um luto é tão doloroso, dói tanto, que a única descrição que consigo pensar  agora é a de que somos cortados a sangue frio  para arrancar nosso coração. Terapia neste momento é o analgésico para ser usado no pós-operatório.

Continuando nesta linha de pensamento, entendi que apesar de todo o benefício do tratamento, algumas tarefas só podem ser cumpridas pelos amigos, só por eles e por ninguém mais.

Conto nos dedos de uma única mão as amigas que tenho, e irão sobrar dedos, falo de pessoas que estão comigo, como testemunhas da minha existência há mais de vinte anos e com elas sou exatamente o que sei ser e o que gosto de ser, não tem postura profissional, não tem máscara social nem preciso ficar à margem para expor qualquer opinião a respeito de nada, sou o que sou e é recíproco o sentimento delas com relação a mim também, elas foram o colo, a mão, o alimento, e as lágrimas compartilhadas quando vivi o dia mais triste da minha vida. Estavam lá comigo, estavam lá por mim.

Amizades precisam de tempo, elas amadurecem junto com você, não dá para ter “um melhor amigo” em um mês, é preciso haver situações pontuais na sua vida, coisas importantes boas ou ruins, elas servem como peneiras, funis e portas de ferro, o amigo dará um jeito de passar por todas, ele chegará junto com você, ou talvez até antes, a tempo de dizer: “Não vá por aí!” ou “Fique calmo, estou com você!”

Só ele tem o direito de apontar o dedo, de dar uma “prensa” ou dizer que está errado, ele vai achar um jeito de fazer isso, por que te conhece e sabe exatamente por onde ir e como deve ir para chegar até você do jeito certo, nossos amigos de verdade tem nosso mapa na palma da mão e dentro do coração!



Amigos compartilham você, com tudo o que você é, é o ser que te escolhe, que te ama apesar do mau humor, apesar da carteira vazia, te agüenta resmungando e ainda encontra razões para te amar. Te acorda para a prova, vai junto na consulta difícil e liga para saber se tomou o remédio, é capaz de dizer que esta roupa ou corte de cabelos não ficam bem em você, sabe exatamente qual presente você quer de aniversário e escreve o cartão mais lindo do mundo dizendo o quanto gosta de você, divide o melhor perfume e quando viaja te traz aquela lembrança que tem tudo a ver com esta amizade.

Por outro lado, é verdade quando dizemos que é na hora da dificuldade que realmente conhecemos os amigos, meu coração doeu demais quando percebi esta realidade, tanta gente sumiu de mim, esperei em vão, como criança esquecida na escola, que alguns deles viessem me buscar do abandono que senti. Não vieram, e fiquei ali na calçada da vida tentando entender o por que do esquecimento. Ok, já superei isso. To bem!

Essas ausências abriram espaço para pessoas lindas que estou conhecendo, com uma história de amizade tão rica que me inspirou a escrever sobre este sentimento que preenche nosso céu de luz quando estamos no escuro.

Conheci estas pessoas através de uma amizade recente que iluminou meu coração na presença, no afeto e atenção dispensados nestes últimos meses, minha gratidão, amor e admiração crescem a cada dia, obrigada amiga, por ser você tão linda, e por trazer este raio de sol que me aquece e ilumina!

Dois meninos se conheceram na escola primária, provavelmente na pergunta de algum deles de: “Você quer brincar comigo?” A amizade cresceu com eles, com o mesmo numero de aniversários e experiências, irmãos de vida, reconhecidos na infância, e aproximados pelo destino. O tempo, as escolhas e a própria vida foi trazendo outros companheiros de jornada, eles viveram a adolescência, namoros, formaturas, casamentos juntos, um casou na sexta o outro casou no sábado, para que um pudesse compartilhar da felicidade do outro.

Esta amizade, foi recebendo reforços de igual quilate em peso e medida, sabe aquelas pessoas que aparecem na vida da gente apenas para cumprir alguma coisa e depois vai embora? Então, este foi o caso, alguém namorou uma menina que apresentou algumas pessoas, o namoro não deu certo, mas as amizades sim e eles nunca mais se separaram.

São a família escolhida, são os irmãos de vida, vale dar bronca, sermão, e abraço, vale dizer “te amo” e na hora da dor, vale não dizer nada. Vale chorar de felicidade ou de tristeza, vale estar ao junto no nascimento do primeiro filho, vale dar a noticia difícil por que só você poderia fazer aquilo, vale dar de presente uma viagem sonhada só para ver o sorriso no rosto que há pouco tempo chorava por causa de uma perda difícil, vale o compromisso de toda sexta feira para jantar, por que família que se ama, come junto.

A foto que ilustra este post mostra dois amigos lindos, o da direita é meu afilhado, filho de uma amiga que é um dos dedos da mão que falei acima, ela e meus outros dedinhos saberão que estão aqui quando lerem, pois, cada uma delas foi protagonista dos exemplos que citei e esta é minha singela homenagem para estas irmãs de vida. Amo vocês!

Quanto à história que contei depois, bem... O que posso dizer?

Talvez repetir o que crianças fazem quando percebem que no grupo de lá tem mais aventuras e brincadeiras do que no grupo de cá, elas param, ficam olhando, tomam coragem e perguntam: “Posso brincar aqui com vocês?”

Vai que dá certo e a brincadeira fica melhor ainda não é? Não custa tentar, afinal, ter amigos é bom demais!

Abraço carinhoso,

Cris.

domingo, 10 de junho de 2012

O Outro lado do espelho...

Este post nasceu originalmente como um comentário da Rosemay  que foi evoluindo, evoluindo e alcançou o céu... Olha que lindo este outro lado!

Beijo carinhoso.

Cris.

                                    Imagem do google

Ao ler o que você escreveu Cris, tive vontade também de escrever sobre o outro lado da relação terapêutica... Num desejo único de dizer às pessoas o quanto é gratificante estar em processo... Estar em movimento!!!

Enquanto lia, me enchia os olhos sentir e vivenciar cada uma das suas palavras. Por que fazer terapia é sim, lidar com dores emocionais, mas é também um grande meio de crescimento!

Fazer terapia exige muito... Exige coragem... Exige humildade... Exige vontade acima de tudo. Ouvir verdades não é tarefa fácil, mas é um aprendizado único!
Há um ano e meio eu vivia a fase mais dolorosa de toda minha vida, não havia em mim mais nenhuma força, nem asas, nem mesmo uma corda em que eu pudesse me agarrar para voltar à tona. Tudo era escuridão e dor. 

Mas a vida é tão perfeitamente organizada por Deus, que num dia muito chuvoso Ele me fez ir a um endereço, com objetivo de fazer uma consulta. Na saída, enquanto esperava o elevador, me deparei com uma porta que chamou minha atenção imediatamente. Eu precisava de ajuda, era só o que eu sabia que precisava de ajuda!

Sem dúvida alguma fui guiada pelo meu anjo da guarda, que insistentemente me mostrava que ali, naquela porta estava o caminho de cura... E eu fui!
Encontrei naquele dia tão especial uma pessoa linda, afetiva, de olhos verdadeiros e que com uma firmeza impressionante me dizia que era possível sim, eu podia acreditar novamente!!!  E eu acreditei! Foi o maior acerto de toda minha vida! Abençoado acerto!

A partir deste dia comecei a entender o que é fazer terapia e acreditem isso não é coisa pra loucos... É sim, o maior presente que alguém pode dar a si mesmo, afinal, quem não gosta de  evoluir , de aprender , de ver a vida com  olhar amoroso ?

 A terapia leva ao autoconhecimento... Não existe julgamento como diz o texto, nem críticas, terapeuta não é juiz!

Ao tratar das dores emocionais, a terapia bem conduzida (isso é absolutamente importante) faz com que algo fantástico aconteça:
Nos  apropriamos da nossa “chave da vida”...passamos a ser protagonistas, abrimos e fechamos qualquer porta que desejarmos!  Não existe na vida nada mais saboroso que isso!!! Descobrimos o poder das nossas asas!

Muitas vezes, e em grande parte da terapia vivemos momentos cruciais , onde olhar para nossas próprias dores e comportamentos não é tarefa fácil . Talvez também por isso muita gente desiste...fazer  terapia dói sim...dói muito em vários momentos. A gente mexe em feridas da alma e até que elas sequem a dor é inevitável, faz parte. Mas assim é também com nossas dores físicas, para curar qualquer machucado é necessário seguir o tratamento, com esforço e disciplina.

Mas os resultados são simplesmente fantásticos! Pense que você pode vir a fazer coisas que jamais se imaginou fazendo, se imagine com o poder para decidir sobre o que quer e o que não quer mais para você, sinceramente, ser livre e provar dessa sensação é como estar em pleno voo mesmo!

Quem faz terapia é, antes de tudo uma pessoa que acredita em si mesma, que entende que a vida pode ser bem melhor do que nossas vivências nos levaram a acreditar e que qualquer dor pode ser transformada em crescimento e aprendizado!

Hoje sinto uma felicidade imensa por ter enfrentado tudo para pegar a minha vida nas mãos!!! É possível perceber que nem mesmo o choro de dor é igual  e a tristeza dura apenas o tempo necessário pra aprender uma nova lição.

A vida da gente jamais vai ser perfeita... Os obstáculos e dores vão continuar existindo, o que muda totalmente é nossa visão sobre tudo, vamos adquirindo ferramentas necessárias para lidar com os problemas e aprendendo a viver com mais leveza, com mais alegria, com mais harmonia... Com mais amor!

Adorei  esse texto Cris...e foi inevitável a vontade de dizer o quanto de verdade existe em cada uma das suas palavras.

Penso sempre na infinidade de mergulhos que você precisa fazer ao desconhecido para trazer pessoas à luz do dia novamente. Sua profissão é admirável!

E é uma grande verdade que o bom psicólogo é aquele que sabe fazer as melhores perguntas! Não acredite que você receberá as respostas assim... Prontinhas, como num passe de mágica! Isso não existe! Nem sempre é fácil como eu já disse, mas em compensação , quando você descobre...ai...quando você começa a descobrir o seu poder , nossa! Daí sai pulando pelo consultório, fica rodopiando e rindo feito criança e dando abraços de balançar! la..la...la..Melhor coisa do mundo!!!!!!

 E sabe o que é mais lindo? Esse processo nunca mais acaba... Nasce um afeto tão único, um grande amor que passa a viver dentro da gente, para sempre.

Rosemay Waldrigues de Almeida

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Psicoterapia, o que é?

O que é? Como acontece? Será que ajuda mesmo?  Estas perguntas escuto sempre! Outros comentários também são comuns do tipo:” Terapia? Não estou louco!” Ou então: “Não conto minhas coisas para ninguém!”. Ou ainda: ”Não acredito nessas coisas”.

Sempre respondo: Ok! Apenas isso.

Não há o que dizer para a pessoa que não quer saber, concorda? No entanto, o simples fato de negar tão veementemente este contexto, para nós psicólogos já é um pedido de ajuda, temos esta mania, desculpe, mas pense! Um dentista vai analisar o sorriso das pessoas, um neuro vai te perguntar algo se você comentar que esta com dor de cabeça, um advogado vai querer saber mais se você comentar sobre algum processo seu, é assim que funciona.

Não vou tentar definir psicologia, você encontrará várias definições colocando em qualquer site de busca na internet, vou apenas tentar colocar aqui o que a psicoterapia pode ser para você utilizando a minha forma de ser psicóloga.

Há evidentemente regras e uma série de componentes éticos que devemos obedecer, portanto, que fique claro, não há como ser psicólogo sem obedecê-las, elas existem por razões óbvias, mas fundamentalmente para proteger ao profissional e ao seu paciente, caso o profissional não as siga estas regras, ele será apenas alguém que você paga para desabafar seus conflitos e o pior, sem beneficio nenhum!

O terapeuta será alguém que deverá ter um ótimo senso de questionamento, gosto de achar que o bom terapeuta é o que faz as perguntas certas.  Faz parte, ele quer conhecer você, apenas isso, conhecer sua história, saber o que pensa e como pensa, quer saber de que forma você entende algumas coisas e a partir disso, se necessário utilizar recursos técnicos para auxiliar você a encontrar um novo caminho, um novo olhar para a situação que gera o conflito, o trauma, o luto, a dor etc.

Não produzimos conceitos nem dizemos se algo é certo ou errado, e não deverá haver frases do tipo:” Você deve fazer isso ou aquilo!”. Não é este o papel do terapeuta, não damos respostas, nem fazemos as suas escolhas, ISTO É SEU! Escolher é o seu papel, o nosso papel é te ouvir, e sabemos que o próprio ato de falar algo que incomoda já é terapêutico, produz alívio, leveza.

Por experiência pessoal, sei que muitas vezes uma situação é gigante dentro de nós, e quando falamos, ela torna-se menor, simplesmente por que o espaço que agora ela habita no lado de fora é muito maior, e assim ao colocarmos em outra perspectiva tudo muda de figura. Fato!
Conheço pessoas que dizem: Não preciso de terapia, eu mesmo me analiso.

Desculpa, mas isso não existe, a pessoa pode, claro, fazer exames de consciência, repensar conceitos, administrar seus conflitos, claro que pode, aliás, deve! Mas pense, se você está realmente disposto a ser eficiente em suas mudanças, não seria melhor uma ajuda profissional para administrar tudo isso de forma conclusiva e segura?

Utilizando um exemplo bem comum: O que fazemos quando precisamos melhorar o desempenho do computador? Podemos utilizar alguns recursos que conhecemos e até funciona, mas quando chamamos um profissional da área ele faz tudo de forma mais rápida e eficiente, melhora o desempenho da máquina, limpando o que não é mais utilizado, abrindo espaço na memória, aumentando a velocidade, ele faz tudo isso mais rápido do que nós, não é mesmo? Claro! Ele estudou, e faz isso o tempo todo tem mais prática e é capaz de perceber algo que foge ao nosso conhecimento. A grosso modo isso também acontece no processo terapêutico quando feito por um profissional da área.

O psicólogo não julga, não produzimos opinião sobre o que você faz ou fez nem dizemos se é certo ou errado, o que importa para nós é como você sente isso e como você reage a esta situação, que emoção surge neste contexto, e desta forma, buscamos juntos outro olhar para buscar o seu conforto emocional.

Este, no final das contas  é o motivo principal pela busca de terapia, sentir-se confortável dentro de si, com suas escolhas, sejam elas quais forem, mas que tragam paz.

Sofrimento emocional faz parte da vida, o que não precisa fazer é a dificuldade de demonstrar, de dizer o que sente, de criar asas para uma liberdade almejada, e por fim, de estar feliz e satisfeito com o que você simplesmente é.

Abraço carinhoso

Cris