segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Depressão existe?

Fonte: Google

Sim, já ouvi esta pergunta que foi acompanhada de um comentário dizendo que a depressão é a folga do malandro.

Sempre lamento quando escuto estas coisas, principalmente por que já faz tantos anos que ela foi descoberta, já existem tantas técnicas efetivas para tratá-la, estudos, pesquisas, publicações em revistas científicas, pessoas realmente comprometidas e habilitadas para o tratamento da depressão, que me parece inacreditável encontrar ainda este tipo de pensamento.

No entanto, apesar de lamentar, procuro  trocar de lugar com quem pensa assim e me descubro sem a obrigação de aceitar que ela exista, na verdade quando troco de lugar, sempre encontro o processo de negação atuando, arrisco dizer, que normalmente quem nega emoção para si mesmo, é por que sofre com o medo de perceber-se e aceitar-se deprimido.

A depressão por perda ou luto, a depressão pós parto ou a depressão por algum acidente ou trauma todos conhecem e identificam facilmente não é? Claro! Ela tem algo como um cartão de identidade como passe livre! É como se fosse permitido senti-la afinal de contas...

Mas e a depressão que vem sem este cartão? Como identificamos?

Vamos lá! Sem a utilização de termos técnicos vou tentar por exemplos bem simples descrever a depressão para que finalmente ela tenha uma aparência reconhecível e identificável.

Todos nós já passamos por momentos tristes com certeza, ela pode chegar por vários motivos, seja por situações familiares, profissionais ou sociais, ela vem e em seguida identificamos por que percebemos as mudanças emocionais que sentimos certo? Ficamos tristes, identificamos e logo em seguida produzimos ações que nos deixem mais alegres e ás vezes ao final do dia aquela tristeza já foi embora. Isso é tristeza, pode durar um dia ou uma semana dependendo de pessoa para pessoa.

Digamos que esta tristeza ao invés de ir embora tenha ficado lá, apenas um pouquinho mais conformada pelas tentativas de fazê-la sumir, a pessoa busca ações que a distraiam deste incômodo emocional que insiste em reaparecer, então já se passaram quatro semanas, oito semanas e a pessoa ainda está “triste” com aquela situação, antes de dormir pensa, ao acordar pensa de novo, na metade do dia o pensamento novamente invade, o humor já está alterado e a paciência com situações rotineiras está quase à zero, as ações que antes davam prazer agora mais parecem uma tortura e os eventos sociais começam a ser adiados.

O sono foi para onde o Judas perdeu as meias e nunca mais apareceu (insônia) ou a cama parece ter um imã que não deixa levantar e a pessoa dorme, dorme muito, está sempre com sono (letargia).

Ok! Este é o alerta que devemos considerar para que uma ação terapêutica entre nesta rotina, já não estamos mais falando em tristeza e sim em depressão.

Parece algo tão sem importância não é? Pensamos que logo vai passar ou que é apenas uma fase ruim, e na verdade é uma fase bem ruim! Toda a química do corpo já se alterou, e as relações pessoais também e ainda assim achamos que já vai passar.

A depressão atualmente, de acordo com a revista Contato de publicação bimestral do Conselho Regional de Psicologia do Paraná, já é uma crise global. “Segundo os dados levantados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente, a depressão atinge cerca de 350 milhões de pessoas, de todas as classes sociais e de todas as idades.” Pág. 16 - Ano 14 – Edição nº 84 Nov/Dez 2012.

Certo! Você pode dizer, me identifiquei com todos os sintomas, o que é para fazer então!

Buscar ajuda, procure um profissional da área, existem várias formas de tratamento disponíveis, e posso garantir que o quanto antes você for muito antes estará melhor!

A depressão é silenciosa, muito parecida com a pressão alta, sente algo um dia, outro dia também, mas não dá importância, e esta “tristeza” tem o mesmo “modus” operante, vai agindo devagar, nosso aparelho psíquico é incrivelmente poderoso e cheio de movimentos que por várias vezes nos surpreende e tal qual nosso corpo físico, necessita de manutenção e atenção!

Tudo, absolutamente tudo o que pensamos nosso inconsciente toma para si e trata de realizar, ás vezes demora anos, décadas e outras vezes apenas alguns dias, portanto, ter uma boa leitura de você mesmo, aprender a reconhecer-se, exteriorizar o que sente, falar suas necessidades é um ótimo aprendizado para a melhoria da sua qualidade de vida.

Um profissional da saúde irá com certeza determinar em que grau a depressão está, sim por que ela evolui continuamente para quadros que variam de intensidade e duração, desta forma, caso seja necessário, uma medicação será indicada,  bem como um tratamento psicoterápico.

Com um exemplo bem simples e figurado vou tentar demonstrar o que seria um tratamento psicoterápico.

Imagine ser você uma correntinha guardada num imenso porta jóias cheio de divisões denominadas como: Família,maternidade, paternidade, relações pessoais (namoro, casamento, sexualidade), trabalho, amigos etc. E você tendo que atuar em todos os compartimentos deste porta jóias durante seu dia.
Em algum momento de tanto ter que ir de um lugar para outro acontece um nó, daqui a pouco outro e outro nó, concorda que a correntinha vai ficando sem tamanho para poder estar em todos os lugares de forma completa? Você tem a consciência que está inteiro, mas simplesmente não consegue mais atuar como fazia antes.

Buscar a terapia é como buscar um especialista em correntinhas com nós, o terapeuta não irá desamarrá-los, mas ele irá junto com você descobri quais as voltas que precisam ser feitas para que o nó se desfaça, o terapeuta irá olhar junto com você qual nó é prioridade e qual pode esperar um pouco.

Existem várias técnicas psicoterápicas disponíveis para tratar a depressão, nosso corpo emocional existe tanto quanto nosso corpo físico, nossas emoções ou a dificuldade em lidar com elas determinam nossa inserção no contexto em que vivemos e buscar entendimento e auxílio nos dá a certeza de que estamos sim buscando cura!

E não é isso que você faz quando a sua pressão está alta?

Existe pressão alta no “coração” sabia? O nome dela é “depressão”!

E ainda me perguntam: Depressão existe?


Sem trocar de lugar agora eu respondo: Sim existe e tem cura!

Abraço carinhoso
Cris.

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