domingo, 13 de maio de 2012



 A conversa dos meus sonhos

Seria tão bom se nos fosse concedido, uma vez na vida em algum momento específico, uma conversa especial.
Se este pedido fosse concedido, certamente eu o usaria agora, por que somente agora tenho um assunto especial para uma pessoa específica.
Eu escolheria um dia que era sempre motivo de sorrisos e alegrias bem vivos na minha mente e coração, pois foi vivido várias vezes desde que mudei para longe, e o último agora à pouco, em Fevereiro. A situação se desenhava assim, eu ligava e dizia:
- Oi mãe! Tudo bem? Saudades querideza! O que você está fazendo?
A resposta vinha de acordo com o horário.
- Oi filha! Tudo bem meu amor! Estou lendo o jornal e você?
- To indo para o consultório mãe, deu saudades e resolvi te ligar!
Neste momento sempre ouvia uma risada, daquelas que as mães dão quando recebem um mimo de filho, sabe como é?
- Ah! Querida!  A mãe está com saudades também.
- Mãe! Como está o tempo aí?
- Ta frio, mas por que?
-Ah! Por que preciso saber se é para levar casaco!
Agora  vem a minha parte favorita:
- Aaai que bom você está vindo? Quando? Que horas? Coisa boa filha, mas que coisa boa! Então desde agora vou ficar aqui sentadinha te esperando, até a hora de você chegar.
Esta parte sempre vinha com risos, por que sempre perguntava como ela iria fazer isso, pois e o almoço? E o banho? E o jornal? E a saidinha para molhar a grama com a minha irmã?
Ela ria, ria e dizia assim:
- Eu paro de comer sem problema por que estou gordinha, o banho você me dá quando chegar e a saidinha para molhar a grama eu faço sentada mesmo por que aonde eu vou a cadeira (de rodas) vai também.
Risada de ambas! O tom alegre adicionava leveza para o dia de trabalho.
- Mãe to chegando no consultório falamos depois tá? Se cuida aí, beijo na Belinha (cachorrinha amada dela), te amo!
- Cristina! Espera! Tu esta dirigindo e falando no celular minha filha?
Apesar de já ter explicado mil vezes que estava falando no viva-voz a pergunta sempre vinha.
- Não mãe! Estou no viva-voz lembra? Já te expliquei que não precisa segurar o aparelho.
-Ah tá! Então vai, filha, fica com Deus, se cuida beijo a mãe te ama!
-Te amo mãe, fica com Deus também beijo!
Termina a conversa e um calor no coração alimenta minha alma. De uns tempos para cá, eu soube valorizar este momento, sentia a necessidade de ouvir a risadinha depois do: “Oi filha!” e por isso fazia um tempo que ligava todos os dias, no mínimo uma vez, às vezes três vezes para falar bobagens, comentar a novela, ou contar alguma besteira.
Hoje, especialmente hoje, se um pedido me fosse concedido, usaria este da conversa especial mãe! Por que desde que você se foi, o percurso para o meu trabalho só não tem sido vazio e solitário, por que agora ligo para a Vanise, o que é ótimo, este hábito de entrar no carro e te ligar precisava encontrar um correspondente, mas quantas saudades da tua voz!
Passei vários dias, muitos mesmo, pensando no que eu diria se pudesse estar com você para esta conversa, treinei, falei coisas sem importância, tentei ser poética, busquei um tom mais sério e não deu certo, principalmente por que estaria fugindo do que eu sou.
 Não sou nada disso, nem séria nem poética, sou apenas esta filha meio estabanada, às vezes esquecida e muitas vezes atrapalhada em algumas coisas, mas que segundo a tua opinião, bagunçada por fora e organizada por dentro.
Pensei que seria importante pedir perdão por algumas coisas, tenho certeza de que fiz coisas que te magoou, te deixou triste e te fez chorar, e por isso, desculpa mãe, desculpa mesmo, foi burrada daquelas que a gente faz e só se dá conta depois, mas julga que se tem tempo para desfazer, e eu não sei se tive este tempo.
Daí lembrei que, quando por algum motivo me sinto triste por algo acontecido com meu filho, aquilo dura segundos, e depois tudo volta a ser como antes, por que coração de mãe é isso mesmo, não fica segurando as coisas por muito tempo, e me senti melhor, mas sei também o quanto é bom quando os filhos voltam e se desculpam, eu fiz isso com você, me desculpei mas já estava saindo e não vi como isso ficou depois.
Enquanto estava treinando a conversa, lembrei do dia em que passamos rindo desde a hora do almoço, por que, de brincadeira fiz a boca da Janete (do Zorra Total) e te chamei para comer, você encostou para trás e riu para valer!
 Rimos uma da risada da outra, e quanto mais eu falava daquele jeito, mais você ria e eu ria de você rindo de mim! Esta gracinha preencheu nosso dia inteiro!  Quase não conseguimos comer por que a risada vinha espontânea e aos montes, fazendo a gente cuspir o macarrão lembra?
Você dizia: “Como você me faz rir!” Essa memória tem me confortado ultimamente.
Mas meu treino não deu muito certo, tudo isso são lembranças que agora vem no kit da enorme saudade que sinto de você, só agora entendo algumas coisas, e o fato de estar em frente a você me faz calar. Isso acontece por que entendi sentimentos e muitas vezes, estes são difíceis de verbalizar, as palavras não cabem.
Então resolvi que poderia falar o que aprendi com você, e tudo se complicou, por que a lista é enorme e precisaria um capitulo de algum livro, talvez aquele que você sempre pediu para eu escrever e eu sempre disse que não me sentia capaz.
Bobagem filha! Você dizia, escreve como você fala, é tão bom te ouvir e com certeza vai ser bom te ler!
Quanta coisa pude ser nos teus sonhos, bailarina, musicista, pianista, psicóloga, escritora, mãe e filha mais velha. Caminhamos juntas até meus cinco anos, e depois chegou minha irmã linda, eu já disse isso, mas vale dizer de novo: obrigada por ela tá mãe?
Você disse no dia da sua partida: “Fiquem juntas, por que quando eu for embora, vocês só terão uma à outra!”.
Ambas temos famílias lindas, nosso pai, três irmãos amorosos e presentes em nossas vidas por parte de pai, filhos lindos, maridos maravilhosos, tias, primas, cunhados, mas somente minha irmã é testemunha do que eu fui e vice versa.
Talvez esta conversa fosse muito longa e talvez você não pudesse ficar muito tempo, então pensei em algo que pudesse resumir tudo isso de forma simples e clara.
A conversa dos meus sonhos acabei de entender, não seria uma conversa, seria apenas uma declaração.
Eu ficaria em frente a você, te daria um monte de beijinhos daqueles que te fazia fechar os olhos e rir, ficaria um tempão abraçada e depois diria:

- EU TE AMO MÃE! Parabéns pelo dia de hoje minha querideza!

PS: A conversa dos meus sonhos quem sabe, seja o título do livro que ainda vou escrever tá? Beijo depois a gente se fala, fica com Deus mãe!



Nossa foto do dia das mães ano passado

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Pesquisa: O que você quer ver?

Olá pessoas queridas!

Estou fazendo uma pesquisa e preciso de ajuda. Tem a ver com o fato de ser turista, ou a vontade de ser. Explicando melhor, pense em uma viagem que você gostaria de fazer, em todas as coisas que gostaria de conhecer, os lugares, os passeios etc.. Esta viagem é a realização de um sonho, algo esperado e planejado, e finalmente realizado, dentro deste contexto pense também no lugar em que você irá se hospedar, independente do numero de estrelas, mas avaliando tudo o que você gostaria de encontrar no hotel em que você estará.



Se está com crianças, sozinho, em casal, em grupo ou em dupla. O que você espera encontrar quando chega neste hotel?  Como espera ser atendido? O que te surpreenderia positivamente e negativamente? O que faria você lembrar deste lugar?

O que você espera encontrar quando chega em uma cidade desconhecida e hospeda-se em lugar que por uma noite ou alguns dias será a representação da sua casa?

Esta pesquisa será de grande ajuda, ela não esta em formato convencional, por que me agrada muito mais saber as informações em forma de relatos do que em forma de perguntas.

Assim que tiver algumas respostas posto aqui mesmo o resultado, isso vai nos ajudar a dar um tom mais simpático sem deixar de ser competente na forma de receber nossos turistas.

Obrigada

Beijo!!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O que você viu?

Olá!


Estou abrindo um novo marcador! Ele é a sua janela de viagem, vá, divirta-se e depois divida com a gente o que você achou! Conte como foi sua viagem, dê suas dicas, o que voce gostou ou não! 


A Helga está inaugurando este novo momento, e estou muito feliz por isso, tive grande alegria em participar um pouquinho deste aventura através do blog!

vamos ver o que ela achou!!


                Bom, tenho certeza de que as coisas não acontecem por acaso em nossas vidas. Em junho, uma amiga me chamou para uma viagem, em outubro, para Viena, Berlim e Praga. Nós e mais duas. Aceitei na hora. Adoro conhecer novos lugares. Mas, de repente, essa minha amiga mudou de cidade - não de emprego, e resolveu adiar essa viagem. Fiquei triste e, como já estava com essa ideia de viagem, comecei a pensar para onde, então, eu poderia ir sozinha - ou com outra pessoa, caso alguém topasse. Tinha outra amiga que queria ir pra Paris - então, falei que iria caso ela aceitasse passar pela Itália... rs mas acabou não indo também. Caramba! Então, pensei: por que não ir finalmente ao Egito?? Um lugar que sonho desde criança - sempre fui apaixonada, fascinada pelas pirâmides, pela história de lá! Só que havia um problema: ninguém quer ir comigo; e ainda fazem cara feia ou me perguntam: "o que vc vai fazer lá?". Fora comentários tipo: vc vai se decepcionar; é um lugar horroroso. Ok. Tem que ir pra ver. Como eu tinha receio e um pouco de medo de ir sozinha (afinal, um país com uma cultura bem diferente...), vasculhei a internet atrás de uma excursão. E pra minha felicidade encontrei!!! Decidi: vou!! E foi tudo muito rápido! No dia seguinte já estava fechando com a empresa. A vida é engraçada mesmo: eu tinha certeza de que um dia iria ao Egito; só não imaginava que seria esse ano!! rs 



                                                           Esfinge de Gizé


Eu sou suspeita pra falar, mas, se sem conhecer já gostava, agora eu AMO! Lugar perfeito não existe. Assim, lá também tem seus problemas, seus lugares bonitos, seus lugares feios, seu lugares sujos. Super normal. Dos lugares que conheci, gostei de todos! Cada templo mais lindo e emocionante que o outro! Estar ali, tocá-los e tentar imaginar como construíram, como devia ser na época deles, é demais!!! Pra quem gosta dessas coisas, vale muito a pena!!! Tanto que pretendo voltar lá, com certeza. O que eu achei um pouco chato, são os vendedores. Tudo bem que é em qualquer lugar, mas lá é demais! rs Vc desce do ônibus, do carro, e eles já estão em cima de vc pra tentar vender alguma coisa. Algumas vezes vc compra pra ajudar mesmo, pois eles vivem muito do turismo. E se vc pechinchar, sai barato. rsrs No meu grupo, o pessoal comprou muita coisa!!! Agora, final de setembro, também é o fim do verão deles - a temperatura estava ótima! Calor, mas um calor agradável. Dicas: se for em pacote, excursão, levar sempre dinheiro extra, pois eles vão te oferecer passeios opcionais que têm que ser pagos em dinheiro. Também pra comprar várias coisas... rs inclusive os famosos lençois de 1000 fios... bem mais baratos que no Brasil... Água, sempre mineral. Outra coisa: nosso guia disse para nunca entregarmos nossas máquinas fotográficas nas mãos deles para tirarem nossa foto, pois parece que eles tiram a foto e saem correndo com elas. Depois voltam e te vendem a sua própria máquina!! Não vi acontecer... mas também, ninguém fez isso. rs Em todos os lugares, existem vários deles se oferecendo pra sair na foto com vc ou tirá-las. Lembrem-se da máquina e da gorjeta... Tudo eles querem gorjeta.. rs Então, tem que ter sempre dinheiro trocado para pagar banheiro e outras coisinhas. E curta cada segundo da sua viagem. Tenho certeza de que não se arrependerão!! 

Depois de ouvir tantos comentários negativos sobre o Egito, tive medo de realmente me decepcionar com essa viagem. Mas, como já falei, amei!! Foi muito mais do que eu esperava!! 


                                                          Templo de Karnak

                                                                      Pirâmides de Gizé

                                                         Templo da Rainha Hatshepsut

                                                          Passeio de Balão

                                                                  Festa temática

Valeu Helga, pelo depoimento e pelas dicas Beijão!!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

20 - A Cidadela de Salah-El-Din no Cairo



Entre conversas em árabe e espanhol, Haissan divide-se em atenção, enquanto isso estamos, eu e a Pri, conversando na língua do “i”, como disse antes, foi a única forma de falar e comentar as coisas sem que ele entendesse, e também uma pequena retaliação por ele estar sempre falando em árabe na nossa frente sem traduzir nada...rsrsrs...ele entendeu isso e perguntou que língua falávamos, eu disse que era um dialeto inventado por mim. Imediatamente ele quis aprender!

- Ah, me ensina então! Ele disse.
- Ok, você me ensina árabe? Respondi.

Caímos todos na risada! Impossível qualquer uma das situações.

Estamos chegando a um complexo de construções maravilhosas e um dos pontos turísticos mais populares do Cairo, situada sobre um esporão de pedra calcária, é parte do Morro do Muqattam, conhecido como uma das mais belas vistas da cidade do Cairo. É também chamada de a Cidadela de Saladino.
Esta cidadela foi fortificada por Saladino no sec. XII em 1176 para defendê-la contras os ataques dos cruzados, na parte interna da fortaleza se encontram a magnífica Mesquita de Mohamed Ali e a Mesquita El-Naser Mohamed, a única edificação mameluca que resta na cidade.

O filme mostra o ritmo das nossas caminhadas.

Sabe...Hoje olhando as filmagens e lembrando todas as peripécias do Haissan...até acho graça!

A regra é: Eu caminho na frente, vocês me seguem e eu fico chamando vocês! Olhem só!



Olha a foto que foi feita a pedido!









Enquanto entramos, Haissan esforça-se em explicações e cuidados, responde perguntas e tenta falar com calma!
 Maaaas...ele só tenta...veja no video ele falando sobre a construção enquanto alguns homens fazem a manutenção do lugar que felizmente esta sendo revitalizado...daria um doce para quem me traduzir o que ele diz para o pobre homem que está fazendo seu trabalho...Ahh! Depois vale a mesma regra do “eu vou correndo na frente e blá...blá...blá!



O dia está bem quente, no entanto, a visão que temos da Mesquita de Muhammad Ali é tão deslumbrante, tão arrebatadora, que nem o sol nem o calor são capazes de atrapalhar. É uma construção belíssima, maravilhosamente rica em detalhes. É também conhecida como a Mesquita de Alabastro, devido ao seu belo revestimento em pedra.
Construída durante os anos de 1830 e 1848 por Muhammad Ali Pasha em honra a seu filho primogênito que havia falecido pouco antes, a mesquita está em um ponto de destaque dentro do complexo da antiga Cidadela de Saladino. Em estilo otomano, é uma das maiores mesquitas já construídas, e passa dos 80 metros de altura.
     Os tapetes do interior da mesquita são ainda os originais, e o túmulo de Muhammad Ali Pasha, em mármore carrara, pode ser visitado logo na entrada principal.

                                                     Foto do site: http://www.eujafui.com.br/

Uma das curiosidades do local é o relógio em bronze que fica no pátio aberto, e que foi recebido como um presente do Rei Luis Felipe, da França, em retribuição ao obelisco do Templo de Luxor presenteado pelo soberano egípcio Muhammad Ali e que se encontra hoje no centro da Place de La Concorde, em Paris. Já comentei isso no post de Luxor.

                                                 Foto do site: http://www.eujafui.com.br/

Outra curiosidade, é a semelhança com a Mesquita Aya Sophia em Istambul (comento sobre ela depois), e não é por acaso, pois, o arquiteto foi o mesmo em ambas.

Estamos ansiosas, pois, à medida que chegamos perto da mesquita aumenta a curiosidade de conhecer esta maravilha por dentro, logo percebo um detalhe, nossos lenços ficaram no carro, não sabíamos que a visita seria agora, e por experiência sei que não estamos com os trajes adequados para entrar. Comento com a Priscila e ela na mesma hora diz:

- Mas é brincadeira, por que ele não avisou que a visita seria agora? Como vai ser?

Ele ouviu, acho que ele tem olhos e ouvidos atrás da cabeça também, por que enquanto caminha na frente consegue “ver” e ouvir tudo!

- Não se preocupem! Vocês podem alugar a roupa para entrar.

- Ok! Disse a Pri. Nossos lenços estão no carro, você não avisou da visita na mesquita, então agora você resolve!

Ele ficou sério e disse:

- Mas é bem baratinho!

A Pri riu e falou:

- Melhor pra você então, nem vai gastar muito! E começamos a rir da carinha que ele fez!

Rapidamente ele encaminhou-se e começou a conversar com o cara que estava na entrada, acho que explicando, não sei...o fato é que ele falava e ria e nos apontava...em outra encarnação vou aprender árabe!


Quando nos chamou, nossas roupas estavam separadas foi só vestir, tirar os sapatos para começar o deslumbre!





 Seguimos enfim, para dentro da mesquita, e ao chegarmos, ouvimos a chamada para a oração o que considerei acolhedor, e senti estar na hora certa e no lugar certo, não sou muçulmana, mas achei muito simpática a coincidência de horário e lugar.







O lugar é lindo, deixo as imagens falarem por si, o áudio ficou um pouco prejudicado, pois haviam pessoas usando o aspirador no momento, mas vejam que beleza!


 


Após uma breve explicação sobre o Islã, terminamos a visita com uma bela visão do Cairo, agora é perfeitamente compreensível o porquê é um dos lugares mais visitados, a vista panorâmica da cidade é espetacular, além de estratégica.

Minha câmera-girl tremeu um pouquinho, mas fez imagens lindas!

 A próxima parada é para o almoço, em um restaurante lindo, depois, o bairro Kopta...mas isso é daqui a pouco!


                                     

domingo, 26 de junho de 2011

O que dizer?

Normalmente sei o que dizer em qualquer situação, fui treinada para isso, fiz faculdade para isso, fiz pós, especializei, e faz 15 anos que trabalho com isso.

Estudei, treinei também para saber quando calar, tudo dentro de um contexto, controlado, especifico e normalmente por 50 minutos sei quando calar e quando falar, e me considero boa, afinal sou psicóloga, e entre outras coisas, é isso que fazemos.

Mas nunca, em nenhum momento da minha vida pensei viver o que vivi dia 23 de junho de 2011.

Estive ao lado de uma mãe segurando a mão de seu filho gravemente doente em seus últimos minutos de vida, e já sabíamos que estava perto, ela já sentia isso, eu também. Os médicos foram extremamente carinhosos a equipe de UTI também, a cada visita, a cada troca de plantão ele era visitado, mimado e acarinhado. 

 Isso por que antes de ser entubado para poder respirar, ele já tinha conseguido com simpatia e carisma conquistar a todos com um lindo sorriso. E o sorriso dele era fatal... E como era! Junto, vinha um olhar profundo e penetrante de brinde, era parte do kit herdado de sua descendência árabe, impossível ficar imune! Sim...impossível! E a gargalhada então!

 Um dos irmãos foi em casa o outro foi buscar alguém, saíram à contra gosto, a vontade era ficar, mas foi preciso, então foram.

Estava eu de plantão na porta da UTI esperando minha amiga querida sair para poder abraçá-la.

Ela finalmente sai e diz: 

- Cris, preciso ir ao banheiro, depois você entra comigo?

Eu disse:

-Claro!

Entramos as duas de mãos dadas, e lá está ele. Inconsciente, em coma induzido, e como nas outras vezes, entramos, falamos com ele, cumprimentamos com beijinhos nos espaços onde não havia tubos, máquinas ou curativos e ficamos ali. Por alguns segundos sem palavras.

Estou consciente da questão do tempo, a mãe também! Logo ela começa a falar com ele e entendi que este era o momento de apenas calar!

 Comecei então a falar os mantras do Reiki, mas eles saíam quase que automáticos, não conseguia me concentrar, meus pensamentos estavam confusos e me culpava por não estar conseguindo. Ao mesmo tempo entendia que o que estava por vir, era grande demais, então, sabia que precisava continuar. 

Fechei os olhos apertados na tentativa de focar minha atenção, e no segundo seguinte percebi que não precisava fazer isso, precisava apenas dirigir meu olhar amoroso, e deixar fluir de todas as formas o imenso carinho que sentia por aquele menino que ali estava. E foi o que fiz.

Ouvia o bip da máquina, controlando os batimentos cardíacos e as palavras daquela mãe a acarinhar seu filho com imensa ternura. Era possível apalpar o amor naquele momento de tão forte que estava manifesto!

E então segue o momento mais impressionante que vivi em toda minha vida!

Estamos segurando suas mãos, ela de um lado e eu de outro, então ela começa a falar:

- Filho! Meu amor, você sabe como a mãe te ama! Você é um filho maravilhoso! E eu estou muito orgulhosa de você! Pela coragem que você teve, pelo esforço que você fez, e entendo que você esteja cansado meu amor! Não se preocupe com a mãe, eu vou ficar bem. Apenas vá! Pode ir meu filho! Eu te amo!

Enquanto falava, beijava sua mão e braço acarinhava seu cabelo em gestos calmos, sua voz era firme, em nenhum momento demonstrou fraqueza, estava segura naquele momento.

O bip continuava o seu trabalho e neste momento as enfermeiras começaram a fechar as cortinas de outros pacientes, pois perceberam o que estava acontecendo ali, e aos poucos estavam todas atrás de nós.

E ela continuava.

- Eu te amo tanto meu filho, como eu te amo! Mas agora pode ir.


Ficamos todos em silencio e por fim o bip silenciou também. Ele foi.
A médica entrou, puxou o estetoscópio, averiguou e atestou o horário: 19:33.
O que seguiu não precisa contar basta imaginar.

Na hora não consegui, mas agora me pergunto que força é essa, de onde vem!
 Que poder é este que uma mãe tem de estar ligada ao seu filho desde as entranhas do seu ser, que o faz nascer para a vida e ao mesmo tempo alcança com a voz o profundo de um coma.

 Que força é esta que Deus deu às mães e somente a elas, que alcança em qualquer situação o melhor para o seu filho, mesmo que seja de forma definitiva.

Que poderoso é o sentimento de uma mãe, que reconhece na dor profunda o momento de entregar novamente seu filho amado ao criador!

Consegui poucas respostas, mas uma parece ser a melhor de todas.

O AMOR, este amor incondicional de mãe que alimenta, que nutre, que protege e que entrega. Somente este amor é capaz de dar força para um momento assim.

Mais tarde, enquanto aguardávamos os trâmites necessários, ela me pediu:

- Cris, por favor, divulga a importância da presença amorosa dos pais na vida de seus filhos, somente isso nos dá força para um momento como este.

Respondi:

- Sim amiga, divulgo com certeza!

E aqui esta!

Deixo aqui meu registro de profunda admiração a esta mãe, pela coragem e força, pelo grande exemplo que presenciei de amor incondicional e verdadeiro. O que me fez pensar e refletir sobre vários aspectos da vida e com os quais ainda estou a me questionar.

Sabemos, sentimos que ele foi em paz, foi um grande guerreiro! Corajoso, forte e resistiu á muitas intervenções, e à ele minha total admiração também!

Que Deus esteja com vocês, amparando e guiando sempre!

Com amor e afeto para esta família!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

História Para Mamães

Às voltas com minhas arrumações por conta das obras na minha casa, foi inevitável mexer em armários, pastas e caixas,  e entre tantas coisas que julgava perdidas para sempre inclusive fotos e CDs deparei-me com uma pasta que por muito pouco não foi jogada fora por estar escrito: “Contas pagas de 2007”.
Coloquei para o lado a fim de espiar depois, no entanto voltei a pegar e pensei, por que depois? Vou olhar agora e já coloco fora de uma vez.

Para minha surpresa, (Maravilhosa!) encontrei o rascunho de uma das muitas histórias que escrevi para a comemoração do dia das mães na Anjinhos & Cia, minha escolinha. Este era um dos meus prazeres, atualmente esquecidos. Criar histórias para minhas crianças.
Certa vez inventei uma que ajudava na escovação dos dentes que eu mesma lembrava quando tinha que escovar os meus enquanto usava aparelho.

Ao pegar as folhas amareladas, comecei a ler e a lembrar o quanto este tempo da minha vida foi importante e lindo para mim.

É uma história para mães.

Aqui está!

                                            

“ Era uma vez uma criança bonita e alegre que andava pelos universos à procura de uma mulher que pudesse ser sua mamãe. Estava ela percorrendo lugares a escolher alguém que ela não sabia como descrever, mas que sabia sentir.
Tinha que ser uma mulher que soubesse um montão de coisas. Precisaria ser meiga, carinhosa e alguns talentos de adivinhação também.
Procurando ia esta criança andando de mundo em mundo, espiando e perguntando a quem encontrava:

- Você sabe onde está minha mamãe?

Infelizmente, ninguém sabia responder.  E logo retomavam seus passos apressados para algum lugar.
Apesar de entristecida, ela continuava a procurar, e por vezes se distraia deitada em alguma grama aquecendo-se ao sol, colhendo flores e brincando com os animais que sempre lhe proporcionaram acolhimento e carinho.
Observava como eles criavam seus filhotes e, por vezes pensava que poderia imitar alguns para ter uma mamãe. Mas não dava certo! Sempre faltava alguma coisa, trombas, antenas ou asas...



Algo que parecia fácil foi se tornando muito difícil, e o cansaço foi tomando conta do seu ser. Precisava de uma mamãe!
E ao continuar o seu caminho, ela por estar sozinha, começou a sentir uma tristeza profunda, e pela primeira vez chorou. Seu peito começou a doer como se algo estivesse cravado nele! Os passos ficaram lentos e sentia suas forças saindo aos poucos.

Buscou então uma árvore de copa muito grande e sentou-se um pouco para descançar. Acomodou-se entre as raízes e ficou tão pequenininha que quase não se podia vê-la. Ali, sentindo-se só chorou até adormecer.

Ao acordar, o céu sempre tão claro estava escuro, e então pela primeira vez sentiu medo. A única coisa que lhe dava conforto eram as raízes daquela árvore que como braços a seguravam com ternura e a aqueciam.



Falou então:
- Quando achar minha mamãe, desejo que ela tenha um abraço assim, forte e protetor, que me faça sentir calma e feliz!


Nesse instante uma estrela brilhou no céu e iluminou a noite escura!



E então ela adormeceu e num sono profundo começou a sonhar com uma grande luz a lhe chamar, era tão forte este chamado que mesmo sabendo que era um sonho ela levantou-se e começou a correr ao seu encontro.
Sentia uma felicidade imensa!  Sentia que sua busca havia terminado. E enquanto corria com todas as suas forças pensava:

- Se a minha mamãe for uma estrela não faz mal, pois sempre saberei onde ela estará.

Porém à medida que pensava estar se aproximando o brilho foi sumindo, e por mais que ela corresse não podia alcançar e então ela acordou.

Meio zonza ficou imaginando o que havia acontecido. Não tinha entendido nada. Mas uma coisa era certa. Não esqueceria jamais o brilho daquela luz nem os “braços” daquela árvore.

Continuou então caminhando.
Dias e noites se passaram até que certa vez encontrou uma aldeia onde só existiam mulheres, e feliz ela pensou:

- Aqui deve estar minha mamãe!

Ao entrar na aldeia todas as mulheres vieram vê-la! E todas a queriam para si! A pegavam no colo, faziam cócegas, arrumavam seu cabelo e ela estava sentindo –se finalmente acolhida e feliz.
Estranhamente, porém, sabia que sua mamãe não era nenhuma delas, dentro de si, alguma coisa lhe dizia que seria maravilhoso ficar por lá. Elas seriam mamães do coração, o que também era muito bom! E já sabia que muitos como ela já haviam escolhido mamães assim, e estavam muito felizes!

No entanto, mais animada, resolveu seguir em sua busca, pois sabia que poderia voltar para esta aldeia, caso não achasse a sua mamãe.

Quando estava indo embora ouviu um lamento profundo que chamou a sua atenção.
Sentada embaixo de uma grande árvore estava uma mulher solitária. Seu corpo havia se acomodado de forma que as raízes daquela árvore a envolvesse como braços; atônita, a criança parou para olhá-la e no mesmo instante seu coração começou a bater muito forte, pois por algum motivo entendia aquela dor.

A mulher com os olhos baixos lamentava a solidão, e desejava profundamente dedicar seu amor a alguém.

- Por que está chorando?  Será que posso ajudar? Perguntou a criança.

Neste momento o dia que estava nublado começou a se iluminar e ao levantar os olhos esta mulher tinha o brilho de uma luz intensa que imediatamente a criança reconheceu!



Elas ficaram assim, se olhando como que absorvendo cada uma a sua parte perdida. Acriança então olhando para ela falou:

- Como eu te procurei! Eu escolho a ti para chamar de Mãe, aceita me acolher em teus braços?

A mulher falou:

- Acolher em meus braços? Ela respondeu.
Te aceito para lhe dar a vida, sempre que for preciso, por toda a eternidade!

Neste momento, abraçaram-se tão forte que ninguém sabe como, mas acriança entrou para dentro dela a ali acomodou-se aconchegada e feliz dentro da mulher que escolheu como mãe!

Ninguém sabe explicar direito, pois, ninguém viu, mas depois de um tempo aquela mulher que era triste caminhava sorridente entre os mundos olhando o por do sol, os animais e as flores, até que sua hora chegou e uma criança nasceu linda e forte já com um sorriso no rosto!

Muita gente tentou, mas ninguém conseguiu explicar como que aquela mulher tinha conseguido depois de algum tempo fazer nascer uma criança com um brilho tão intenso!

Sem conseguir dar um nome a isso, simplesmente disseram:

Esta mulher DEU A LUZ!

E hoje cada vez que olhamos nossos filhos é bem verdade que reconhecemos neles o brilho em seus olhos, venham de onde vierem, de dentro de nós ou por outros caminhos, mas a verdade é que eles por algum motivo nos escolheram e nós por algum outro motivo também os escolhemos.

Esta é apenas uma história, mas bem que tem seu fundo de verdade não é?




Beijo com carinho
Cris.